Quem eu sou

*** Originalmente escrito em meados de 2013

                  Se algum leitor, que não seja eu, encontrar este texto por uma ocasião qualquer, pelo destino ou pelo acaso, em algum outro lugar que não seja neste blog tenho de deixar claro de que não estou conversando propriamente com você, leitor. Sei que aparentemente a afirmação torna-se falsa, mas a verdade é que, para mim, ler e escrever textos em que a presença do escritor é notável, quando o “Eu” existe no texto, foi algo que sempre me agradou.

                Além disso, quando escrevo nessa estrutura é porque estou numa ínfima conversa comigo mesmo, afinal, ao mesmo tempo em que escrevo estou lendo.  Sabe quando você está conversando, em seu pensamento, consigo mesmo? É assim que funciona esse texto. Sou escritor e leitor ao mesmo tempo.
                Sendo assim, e se olhar por um lado, poderia eu até me perder nesses dois universos por talvez em algum momento não conseguir mais me identificar: Afinal, sou quem escreve ou sou quem lê? E para evitar tal fato crio um personagem e defino-o para um dos papéis: Eu, *****, sou o leitor, e o CR (abreviação dada a esse personagem) é o escritor. Mas, por favor, você, “intruso”, que está lendo meu texto, e eu, não nos esqueçamos de que essas duas faces são uma só na verdade.




                Será que é certo dizer que é egoísmo gostar de escrever textos em que o “Eu” prevaleça? De escrever textos direcionados somente a mim? Eu acredito que sim! Logo, poderia eu me considerar um pouco egoísta, individualista, mas, sinceramente, Eu acredito que todo mundo deva ter, e realmente possua, um pouco dessas características.
                Não querendo prolongar essa pequena reflexão, a questão é que Eu acho que são características que, apesar de acreditar que todos as tenham, devam se equilibrar, ou seja, que a balança não seja extrema para um dos lados. Pelo menos é o que Eu faço: Equilibro o peso do Egoísmo com o do Altruísmo.
                Sim, intruso leitor e eu mesmo, contraditoriamente à definição que dei a mim, ainda penso no outro. Conceitos como “Aprender a conviver com o próximo”, “Ser sempre um ombro amigo” e “Aceitar crenças e diferenças” são essenciais para mim, afinal, fazem parte da base de minha grande estrutura ideológica. Além de acreditar que, apesar do texto ser direcionado a mim, existe a possibilidade de minhas reflexões auxiliarem aos outros que, de alguma forma, conseguiram vê-las/lê-las.

                Em fim, sei que estou demorando a começar o que tenho que falar no texto, mas é que me foi dado a simples liberdade de escrever, então me perdoe por ser prolixo. O tema principal que me foi dado a escrever aqui foi “Quem eu sou”, mas, ironicamente, devo ressaltar de que tudo que escrevi até agora já reflete um pouco de quem eu sou:


Sou essa confusão de ideias que vem e vão
Uma grande mistura heterogênea
Mergulhada em um plasma tão vasto como o universo


                Eu ser eu talvez seja todo o conjunto interno e externo. Talvez seja o mundo afora que me faça assim e a forma como respondo a ele. Talvez seja o absoluto tempo que me lapida a medida que passa, e, como diria Raul, seria eu uma metamorfose ambulante.

                A verdade é que me descrever é uma tarefa tortuosa, pois são tantos fatores que fazem eu ser eu que, para mim, o que escrevi até agora e o que escreverei mais adiante talvez não vá ser o suficiente.
                Sim, ainda escreverei um pouco mais! Só assim acredito que dê para perceber que escrever é uma atividade muito prazerosa para mim... Aliás, dizem que gostos definem as pessoas, então poderia eu dizer, para contribuir com o texto, que, além de escrever, fotografar me traz uma sensação divina.

                Não tinha uma câmera até um tempinho atrás, então tinha de fazer milagres com a câmera do meu celular, mas foi quando ganhei minha máquina que meu mundo ficou mais mágico! Tudo bem, entendo que ainda não desfrutei 100% dela por ter a ganhado há pouco tempo, mas os pequenos momentos em que estive com ela foram o suficientes para ver que fotografar é simplesmente divino.
                Além desses dois prazeres, digo, timidamente, que a arte de palestrar é algo que me fascina! Descobri e só dei atenção a tal fato quando percebi que me dava êxtase ir apresentar um trabalho qualquer na frente de toda a turma. Não importava qual matéria, seja da área das Humanas ou das Exatas, dava-me prazer apresentar todo o trabalho, que organizei durante um tempo, na frente da sala.




                Escrever, Fotografar e Palestrar.  EFP, resumidamente, são as três formas prazerosas de mostrar ao mundo quem eu sou. Janelas, pequenas fendas, que deixam o espectador vislumbrar um pouco de toda a minha complexidade (porque todo e qualquer humano é complexo por dentro).

                Será que sonhos também possuem a possibilidade de definir as pessoas? Se fosse dizer que tenho um sonho poderia afirmar que meu maior desejo seria realizar algum outro sonho que, de alguma forma, teriam o EFP presente.
                Ter uma casa própria com uma varanda para sentar em um dia calmo de domingo e escrever o que me viesse à cabeça, tirar um dia qualquer, ou mesmo em minha rotina, para fotografar pessoas, lugares, e a mim mesmo, ou ter a oportunidade de ter algum emprego em que eu pudesse apresentar algum assunto para qualquer espectador. Não importa! Quero chegar à estabilidade de minha vida podendo realizar alguma dessas três tarefas. Sem ser obrigado a tal, apenas pelo simples prazer e vontade de fazê-las.

                Felizmente ainda sou novo, e, além desses, ainda tenho vários outros anseios a realizar: Viajar para diferentes lugares, conhecer várias pessoas, ter vários relacionamentos/amores em minha vida, e tantos outros sonhos que qualquer outra pessoa desejaria ter.

Resumidamente viver!




                Só peço que não interprete essa última frase de forma tão leve. Quero que perceba o grande peso dessa, afinal, viver não é uma coisa tão simples. Permita-me abrir um pequeno parênteses:

                A Vida te dá uma mala quando você começa a traçar o seu caminho através do tempo, e a medida que você vai caminhando você vai enchendo essa mala com pedrinhas e pedronas que apareceram no seu caminho, com as lembranças que você se recorda toda vez que olha para trás e vê tudo o que já andou, com os sonhos e expectativas que você guardou dentro dessa mala quando, principalmente, começou a sua caminhada, e com esperanças, para que toda vez que você olhar para frente e ver todo o caminho que ainda tem de trilhar, não desistir. Tudo isso e mais um pouco é viver.

                Sinceramente, a vida faz mais sentido quando você tem um objetivo a cumprir, e não quando simplesmente se deixa levar. Acredito que, mesmo com essas reflexões, gostos e sonhos, meu real objetivo é saber a resposta para a pergunta do título.

               A verdade é que "Quem eu sou" é uma pergunta muito complexa, e muito difícil de se achar uma resposta. Terás de me perdoar, caro intruso leitor, mas não vou poder definir ou lhe responder certeiramente, mesmo que eu tenha dito casos que deixam a resposta mais "visível", como desejos, gostos e sonhos, pois, como lhe disse anteriormente, "Sou uma metamorfose ambulante", então quem garantirá que terei os mesmos prazeres daqui há 5, 10 anos? Não terei, pois, tanto eu como você somos seres mutáveis!
                 Como disse, ainda estou a procura de uma resposta para essa pergunta, e é bem provável de que talvez nunca ache. Diante de tantas adversidades, caminhos e possibilidades que O Tempo e A Vida me oferecem, posso vir a me tornar quem eu quiser, ou quem as pedrinhas e pedronas do caminho me obrigarem a ser!

                 (Risos) Que confusão! Não importa! O ponto é que poderia eu ter sido outro em um ttempo passado, posso ser um agora, e poderei amanhã ser um estranho. Ser ou não ser, eis a grande questão!

                Se assim o for, não posso responder com tanta convicção à pergunta "Quem eu sou?". O que realmente posso fazer é registrar todas as facetas de alguém que já fui, e talvez até supor quem eu poderei ser amanhã. Então, se você, caro intruso,mas bem-vindo leitor, quiser chegar à uma resposta definitiva terás de acompanhar toda a minha grande aventura através dessa fenda que deixo aberta, através deste blog, e, talvez, quem sabe, quando tudo terminar, você, ou eu, cheguemos a uma possível conclusão!



                É engraçado, pois disse no começo do texto que este era voltado somente a mim, que não passava de uma ínfima conversa comigo mesmo. De certa forma foi, pois ainda sou leitor, mas, inevitavelmente (já que você provavelmente irá me acompanhar daqui para frente), tive que incluí-lo aqui.
                Pelo jeito, não existe somente mais um Eu agora, e talvez nunca tivesse existido, mas também um Você.



             Como diria Clarice Lispector:

"Quando escrevo, enquanto escrevo, eu morro. Vou morrendo a cada letra que coloco no papel. Quando termino, depois de morrer, eu ressuscito, eu renasço, e, lendo o que escrevi antes de morrer, consigo entender quem era o eu que morreu e o que ele estava sentindo. Quando renasço, compreendo e fico imaginando o que vou pensar antes de morrer novamente"


                 Então repito:

 Afinal, sou quem escreve ou sou quem lê?

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