A partir daqui ocorre um limbo e começa a era "Devaneios de um Jovem gay", ou seja, daqui para baixo são postagens mais antigas da minha antiga versão do blog e todas terão o selo "DJG" (que representa o nome antigo do blog).
Espero que aprecie caso esteja nessa mesma fase que estive, assim como espero que não se assuste tanto com a imaturidade e inocência desse antigo jovem se descobrindo como gay e ainda aprendendo com questões da vida.
Perdi as
contas de quantas vezes idealizei beijos e carinhos após ver outro garoto na
rua, ou em um desses vários aplicativos que existem por aí, que me atraísse ou
despertasse meu interesse.
Apesar
disso, me manter nesse mundo idealizado não é lá um dos meus pontos fortes, ou
pelo menos deixou de ser após minha primeira paixão platônica, por isso que,
por mais “difícil” que seja, sempre tentei arranjar algum meio de conhecer aquela
pessoa que estava desejando naquele curto período de tempo.
Consigo
contar nos dedos de uma mão as tentativas que deram sucesso, e, mesmo que fosse
um sucesso, nunca era a opção que eu mais desejava, e sim a que eu não criava
planos de conhecer. Pior ainda é que o máximo que consegui dessas tentativas foi
arrancar um beijo e alguns encontros, nada além disso (não que eu ache ruim).
Claro
que estou excluindo outros fatores que fizeram o anseio não se realizar: Eu e
ele não combinávamos, não era correspondido ignorado, distância, tempo,
planos, etc, etc, etc. Tirando essas razões, sempre me indaguei sobre o “Por
quê” de algumas idealizações minhas com o outro não darem certo, ou não poderem
se realizar no atual momento, e a resposta mais plausível, ou que saciou a
minha dúvida, obtive na convivência com uma pessoa.
A
questão é que devemos saber aproveitar e, acima de tudo, entender, analisar, a
situação, o momento, em que estamos com outro. Esse é o segredo.
Um
exemplo: Uma prima minha, iniciando a sua adolescência, teve a oportunidade de
ficar com um carinha em uma festa, mas não ficou. Não por falta de interesse,
simplesmente não aconteceu (nervosismo dela talvez). Tinha ela me dito que ele
a ia procurar no facebook, e eu, observando o caso, disse a ela que isso não
aconteceria, e realmente não aconteceu.
Bastava
ver o ambiente: Na balada de uma festa. Quais são as chances de alguém, nesse
ambiente, ter o interesse em ir atrás de conhecer
o outro? São poucas. Além do fato de serem pessoas novas, que querem apenas
aproveitar aquilo que estão vivendo naquele instante, e também pela proposta de
ser apenas um fica.
Não
quero e não estou generalizando. Há casos raros.
Quais
são as chances de surgir um relacionamento a partir de um aplicativo? Poucas
também. Isso se dá simplesmente por ser algo “forçado”: Você tem de marcar encontro. Não é algo
casual, que simplesmente acontece. Não é como conhecer uma pessoa por acidente.
Além desses aplicativos serem, na verdade, um grande catálogo onde você vai
escolhendo quem lhe interessar, e não quem esbarrar com você no caminho.
O que
acontece é que, muitas das vezes, procuramos algo no lugar e na hora errada. E
o pior é que não temos noção disso. Repetindo: O segredo é saber se o momento
está propício para o que você procura.
Tem de
se levar em conta o estado em que cada um se encontra: Há momentos em que
estamos dispostos a namorar alguém, e há momentos em que queremos apenas
curtir. Somos mais amigáveis durante um período, ou voltamos a nossa atenção
para apenas a quem conhecemos.
Nossa
maturidade também entra nesse quesito: Quando estamos vivenciando o nosso
primeiro amor, degustando de novas experiências, a forma como lidamos e
respondemos ao outro, nossas ideologias daquele tempo, ou seja, Quem nós somos
naquele instante.
Também
tem a clássica: A Primeira Impressão. Conta bastante, mas não nos esqueçamos de
que é uma consequência do que acabei de falar: de Quem nós somos, ou, melhor
dizendo, de Quem estamos sendo naquele instante (vide ao fato de sempre
mudarmos com o tempo).
Vejo
que, aceitando isso, um leque de possibilidades é aberto em relação ao ato de
conhecer o outro, além do fato de aprendermos a lidar de maneira mais extrovertida, de forma menos estressante, com as casualidades da vida. Posso causar a melhor primeira impressão em alguém, ou a
pior. Vir a me tornar o melhor amigo, ou o mais odiado inimigo. Um dia ser o amor
da vida dela, ou um estranho.
E tudo
isso depende de todos os fatores externos e internos. Depende de mim, da
pessoa, do dia, do local, da hora, em fim, do momento! A verdade é que, vendo
toda essa casualidade, posso vir a me tornar qualquer pessoa diante do outro.
E se
não funcionou como você esperava, tenha certeza de que um dia possa vir a dar
certo, afinal, todos nós somos uma enorme e infinita metamorfose ambulante!
Todos se preparam.
Escolhem ficar do lado de quem mais gostam, de quem mais possuem intimidade.
Abraçam, beijam, levantam dedinhos, e mais uma variedade de poses é feita para
essa última foto. Não estou excluído dessas facetas, afinal, faço parte desse
grupo... Corrijo: Fiz parte desse grupo.
Eu os vejo. Eu os
sinto... Eu os vi, e eu os senti. Ainda não consigo entender esse misto de
crueldade e maravilha que é A Vida e O Tempo. É uma beleza muito estranha aos
meus olhos.
Autor: Bertil Nilsson
(Renascimento da
Fênix)
O poder divino dos deuses,
a transcendência do corpo, a renascença da alma, a existência de seres míticos,
contos e estórias, e entre outras várias fantasias foram criações do ser tão único que é o homem. Uma eterna busca por algo que o fizesse, de alguma forma, "vencer" o tempo. A necessidade do homem de ganhar das suas “fraquezas”
sempre existiu, e não é hoje que irá acabar.
A imortalidade,
o maior anseio desse homem, é uma maldição ou uma dádiva? Relativo.
Quanto tempo duraria essa imortalidade? Quinhentos anos? Cem mil anos? Nove vezes
o tempo de existência de um corvo? A idade de uma Fênix?
Pergunto,
pois, paradoxalmente, nem mesmo uma Fênix, ser criado por esse homem, e símbolo
da imortalidade, é imortal. A ave do grandioso ciclo, ao final da sua vida,
quando teve de deixar de existir, lança aos ventos suas cinzas a fim de mostrar
de que ninguém escapa do caminho tão certo que é a morte.
Mas é
nesse mesmo negro de dor e sofrimento que nasce uma pequena faísca, um sopro de
vida, que é uma nova Fênix... Uma esperança seria? Indícios da imortalidade?
Mais um ciclo!
Quanto
tempo dura esse grandioso ciclo de morte e renascença da Fênix? Quantas vezes
uma Fênix tem de morrer e renascer para alcançar um objetivo que nem mesmo se
tem certeza, se é que existe um objetivo? Nós, humanos como somos, poderíamos
ser o ciclo por um todo ou um resultado de cada ciclo completado? A junção dos
dois? Ou seja, em uma vida, morremos só uma vez?
Não.
E essa é a única resposta que
posso lhes dar.
Quantas
vezes morrestes e renascestes durante a vida? Quantos Eu’s deixastes de
ser no percorrer do caminho? A Vida, sendo a nossa grande guia, é um grande
martelo que nos lapida com o passar do tempo, ou talvez nós nos lapidamos com o
que A Vida nos oferece. Sendo uma questão de perspectiva, é inegável o fato de que, inevitavelmente, deixamos de ser quem nós somos, ou seja, de
que O Tempo tira a nossa identidade (ou seríamos nós, seres de razão, a tirarmos a
nossa própria identidade?...) Não culpo o tempo, apenas sei, em minha condição humana, que sou mutável.
Não sou
o mesmo de dez anos atrás, e nem serei o mesmo daqui a dez anos. Ontem fui um eu,
hoje já sou um novo eu, e amanhã serei um outro. O que causa tudo isso?
Amores e amizades? Intrigas e desentendimentos? Não ignoro tais fatores por
serem sim causadores de nossa mudança, mas acredito que são nas despedidas que
está a essência dessa Fênix.
Me
perdoem, sou um Homem de fins, e não de começos. Para mim, começos são
consequências. Não nego que um novo amor e uma nova
amizade, ou seja, novos relacionamentos nos renovem. Estes, além dos infinitos e novos
problemas que persistem em existir nos nossos caminhos, são os que moldarão esse nosso novo Eu, essa nova faísca, essa nova Fênix, mas vejo que são os fins, as despedidas que são responsáveis por criar essa nova
pessoa.
Os fins são as chamas que queimam a velha Fênix.
Quando
me despeço de uma ou várias pessoas, o eu que eu era para elas deixa de existir
no momento do adeus. Nenhum outro grupo poderá reviver essa pessoa que existiu
na linha do meu tempo, e mesmo reencontrando esses antigos entes, ou
relembrando-os, apenas terei um vislumbre de quem eu já foi.
Quando encontras, depois de muito tempo, por destino ou acaso, aquele seu
amigo de infância e, depois das saudações, começam a lembrar de todos os
momentos bons e ruins que viveram juntos, ou quando simplesmente se sentas na cadeira e, por algum motivo, começas a lembrar dos momentos que já vivera, percebes que nessas e outras horas o quanto já morrestes e renascestes durante a tua vida.
Aí que está a relação íntima entre Tempo e Lembranças.
No fim, ironicamente ou não, somos culpados pela nossa própria morte. Assim como a Fênix, quem
constrói nossas piras que, logo logo, se atearão ao fogo, somos nós mesmos.
Mudar,
morrer, dói. Pior ainda é que, como a Fênix, sabemos de antemão quando a hora
chega, exceto às raras vezes em que não estamos preparados. Como no ritual, em
meio a todo o terreno que se desmorona, tristes melodias são entoadas pelo
nosso antigo ser tão desgastado.
Choramos
como se fosse a nossa última vez... Por que choramos? Não somente por doer, mas
saibam que lágrimas de Fênix curam. Curam nossas feridas, curam nosso ser.
São lágrimas que descarregam todo o peso de dor e sofrimento que o antigo eu tanto
tinha depois de viver uma vida de imortalidade.
Esperança,
mutabilidade, renovação e imortalidade... Tudo.
Quem nós somos?
Somos Fênix na vida
Uma
última foto? Sim, uma última foto, para que as cinzas do Eu que já fui não sejam
simplesmente levadas pelos ventos e esquecida pelo o resto de minha vida.
Vocês,
acima de tudo, existiram para mim.
Eu os vi, eu os senti. Sei quem já foram, e agradeço profundamente por terem
sido quem foram.
Sei que
minha morte é inevitável. Despedidas são inevitáveis. Renascer é inevitável. Quão
cruéis O Tempo e A Vida são! Mas que estes me deem o direito de guardar estas
minhas cinzas na minha vasta memória, que, na verdade, é uma enorme Cruz que
carrego em minhas costas.
Fraqueza
ou não, me perdoem, Tempo e Vida, mas não quero me esquecer das cinzas de um tempo
que já fora, das cinzas da minha história.
Quanto
tempo dura esse grandioso ciclo? Quantas vezes terei de morrer e renascer
nessa vida? Quanto tempo dura essa imortalidade?
Não, não havera
nada de especial nesta manhã que acordei. O céu não aparecera mais azul, o sol
não nascera mais brilhante e o dia talvez seja como qualquer outro da minha
longa e normal rotina. Que chatinho...
Apesar disso, levanto-me
e olho-me no espelho. Vejo-me e toco-me como se não me reconhecesse. De alguma
forma não conseguia me identificar. Era estranho a mim mesmo. Será? Nem parece
verdade... Eu realmente estou envelhecendo.
É bem
provável de que o clarão tenha sido a primeira imagem que viera aos nossos
minúsculos olhos. Passamos tanto tempo dentro de um quarto escuro que no
primeiro sinal de luz mal conseguimos olhar diante de tanta claridade. “Olá
mundo”, “Aonde eu estou?”, “O que está acontecendo?”, e entre outras tantas variadas
frases e perguntas talvez tenhamo-nos feitos naquele momento, ou mesmo nenhuma.
Indago-me:
Por que choramos quando nascemos? Ou melhor: Por que temos de nascer!? Aposto que
estávamos tão relaxados e bem acomodados naquele pequenino lugar que acredito
que não houvesse tanta necessidade de sair dali. Era silencioso, escurinho e bem reconfortante. Nada nos incomodava.
Apesar disso, e se vermos por um lado, talvez
seja essa a resposta para a primeira pergunta. Sabemos o quão difícil é sair
da nossa zona de conforto, e foi tão difícil para nós no começo que simplesmente choramos.
De
alguma forma, parece que naquele momento perdíamos toda aquela proteção que
nossa querida mãe nos oferecia, e que a partir dali estaríamos mais vulneráveis
ao que está fora... Não, não posso tratar apenas como uma suposição. Realmente
perdemos essa proteção e ficamos mais vulneráveis no momento em que nascemos.
Vendo
assim, a verdadeira frase que realmente devemos ter pensado naquele momento fora:
“Eu não estou preparado”
Pois não nascemos prontos para viver, e choramos, pois, mesmo sendo assim, não tivemos
a opção de escolher.
Frente
a este momento, a primeira vista, tão desesperador, porque teríamos esperança? Não
tivemos motivos para tal! Até que, para a nossa felicidade, quando vamos em nossa primeira
procura por uma base, sentimos, em nossas pequeninas mãos, um dedo! Sim, um
dedo! Um dedo que um pouco mais tarde se tornaria uma mão. Mão esta que nos
guiaria por um curto, mas longo período de nossas vidas.
E é com
essas duas pessoas (e não mais mãos) que vamos crescendo com o passar do tempo.
Tudo até que fica mais “fácil”! Tão fácil que até chegamos a conclusão que A Vida lá fora não é tão complicada e difícil como imaginávamos que seria dentro do útero, e que ela é até mesmo mágica!
Eu sou um Monstro! Rhooaaar! E você deve fazer o que eu mandar!
É com
essa magia e fantasia que norteamos o nosso rumo. Lutamos contra cavaleiros e dragões, salvando,
assim, a pátria! Viramos Os Heróis! Tornamo-nos As Super-Crianças! Somos pequenos príncipes
e princesas que reinam o mundo fantástico.
Impressionante
o quanto inocentes somos ao ponto de acharmos que o amor de pai e mãe é o único que existe, e que se apaixonar por outro é motivo o suficiente para ficarmos todos vermelhinhos de
vergonha, principalmente quando ficamos, pela primeira vez, de mãos dadas!
A verdade é que temos
coroas e espadas e absolutamente nada pode nos derrotar! ...
Nada?
E é aí que tropeçamos numa pequena, pequenina
pedrinha, e machucamos nossos joelhos. “Mãe, Pai!” são os primeiros nomes que
gritamos (isso se já não estivermos sentados aos choros e soluços no chão).
Para nos acolher esses chegam de braços abertos , mas, para a nossa infelicidade,
com o famoso Merthiolate em mãos.
“Ai Mãe, tá doendo!”
“É, mas vai passar”
Ironicamente é dessa forma que vamos aprendendo a conviver com a dor. Vemos que não adianta sentar e chorar. A dor é grande e uma lágrima ou outra é
aceitável, mas com um pouco de Merthiolate e com um pouco de coragem e
disposição devemos nos levantar.
Notavelmente é assim que vamos crescendo, e, inevitavelmente,
endurecendo. E são esses “mentes” que, infelizmente, nos tornam cada vez menos
príncipes e princesas.
De
repente, as coroas e as espadas que tínhamos não existem mais. Os dragões se tornaram moinhos de
ventos e não salvamos mais a pátria. O amor e a paixão? Sim, existem... Não... Pensando bem, corrijo! Não é que os primeiros deixaram de existir e que o último continua
existindo, mas a verdade é que agora estes se transformaram!
"Não discorde de mim!
Eu sei a verdade!"
"Eu posso cuidar de mim mesmo!"
"O mundo está em minhas mãos e não venha querer me impedir de viver,
poisEu Sou Jovem!"
(Isso me faz lembrar até mesmo de algumas partes da famosa música de Renato Russo, "Pais e Filhos").
E é nessa autoridade que vamos guiando nosso rumo. Passamos a acreditar fielmente que agora somos
adultos e donos do próprio nariz. Príncipes e Princesas? Não mais!
Somos Reis e Rainhas que mandam e desmandam a hora que bem quiser, e o nosso
reino não é mais o mundo fantástico, mas o próprio mundo.
É
engraçado, pois quem disse que a vida perde a magia depois da infância? Quando
somos jovens, A Vida, na verdade, fica sem limites. É um universo sem fim a ser
explorado por viajantes sedentos por novidades. O impossível se torna realidade
nas mãos destes desbravadores. A Vida, até mesmo, ganha mais sentido!
Mais
engraçado ainda é que a jovialidade é esse misto de autoridade e insegurança.
Primeiro Beijo, primeiro namorado(a), primeira transa, primeiro “porre”, e
outras tantas primeiras vezes são coisas simplesmente fantásticas para nós, mas
que levaram tempo até serem realizadas, afinal, o medo do que é novo existe.
Claro
que, sendo Jovens, não deixamos esse tomar conta, pois, independente disso, mesmo com tanta
inexperiência, continuamos sendo os “Ban-Ban-Bans” da área. Sabem porque?
Porque agora somos Os Super Jovens!
Indomáveis
Invencíveis
É...
Invencíveis...
“Filho, não vá por
aí”
“Filho, você vai se
arrepender”
Consideramo-nos
tão impossíveis ao ponto de revoltarmo-nos quando aquela mão (sim, aquele
antigo dedo) vem querer nos dar uma forcinha, ou querer nos guiar pelo caminho
que acredita estar certo.
Não
queremos isso! Queremos caminhar com as nossas próprias ideologias! E quando
não nos damos mal com o caminho que escolhemos, zombamos dos que disseram: Está
errado... O problema é quando realmente erramos.
Ou
somos jovens o suficientes para se esconder em um canto do nosso quarto e
chorar escondido, ou somos adultos/crianças (e é essa ideia paradoxal mesmo) o
suficientes para reconhecer nossa queda, e voltar, de cabeça baixa, para
aquelas mãos, para aqueles braços que, por incrível que pareça, nos recebem mais uma vez abertamente. Sem Merthiolathe, e sem dores, mas com um abraço bem apertado, provando-nos que "sempre" estarão ali.
Falo
que os primeiros são jovens por terem um ego tão alto ao ponto de se
“desumanizar”, pois a lágrima (para muitos que estão nessa época) é sinal de
fraqueza, e a última coisa que querem é se verem como “fracos”.
Digo
“crianças” por reconhecermos de que ainda não somos maduros o suficientes para
a vida, e de que ainda precisamos daquelas mãos. E digo adultos por aceitarmos que, naquele momento, realmente erramos.
O misto de autoridade e insegurança é, na verdade, um misto de ser criança e ser adulto.
Acredito
que o que nos faz jovens é esse ego alto e esse "autoritarismo", pois, mesmo nessas quedas, continuamos, aos
nossos olhos, sendo IN-VEN-CÍ-VEIS...
... E
realmente somos! Qual graça teria a vida se não fosse por esse sentimento de
jovialidade, por essa sensação de invencibilidade? De viver e aproveitar o
agora, deixando o depois para o depois?
Por um
momento, por um pequeno momento, até somos Imortais! Mas, infelizmente, somos assim só por um curto período, pois é quando saímos de nossos ninhos, e não temos mais aquelas mãos, aquele dedo, para nos acolher e guiar, que notamos o quão vulneráveis, mortais, somos.
Melhor dizendo: É quando notamos que não somos mais tão jovens assim que percebemos a nossa fraqueza.
Eis mais um fato da vida: O dedo que seguramos tão fortemente quando nascemos não existirá para sempre.
Não,não estou falando apenas do momento em que estes irão embora, mas estou falando principalmente de quando deixamos de ser aqueles mistos e passamos a realmente ser responsáveis por si mesmos, ou seja, quando nos tornamos adultos.
Mesmo que não queiramos, é inevitável. Não seremos jovens para sempre. Sim, irá acontecer mais uma vez! Assim como o nosso começo, quando nos tornarmos adultos, seremos arrancados da nossa zona de conforto, do nosso quartinho.
Infelizmente, a partir deste fato, quem nos guiará não será mais aquele dedo, mas as mãos da Vida. A única diferença da vez em que nascemos é que a frase
“Eu não estou preparado” é opcional.
Feliz
para os que dizem “Eu estou preparado para viver”, mas triste para os que
continuam despreparados. Felizmente, ou infelizmente, quem vos ensinarás agora
é A Vida, e, como soubemos quando caímos daquela pedrinha, aprender com esta dói.
Então, pergunto-lhes mais uma vez: Um novo mundo se abre e desta vez realmente estamos a sós,
então, porque ter esperança frente a este momento tão desesperador?
Cabe a cada
um dar sua resposta, mas a minha
é bem simples:
Não deixar esse
espírito jovial, invencível e indomável, se extinguir!
Caros leitores, vejam que narrei uma história em que nascemos e somos guiados por nossos
pais até o momento em que realmente temos de voar do nosso doce e querido
ninho, mas o real nem sempre funciona assim.
Nem
sempre aquelas mãos, aquele dedo, se farão presentes por motivos diversos (da
perda até o abandono).
Nem
sempre a relação com esses será harmônica, pois conviver é difícil.
Também há
aqueles que não tiveram sequer a oportunidade de abrir os olhos pela primeira vez.
Aqueles
que ficaram sem a oportunidade de voar.
E
aqueles que, de certa forma, ficaram presos no tempo. Jovens que eternamente
serão Jovens.
Mas, notem, nem por isso esses ou aqueles deixaram de conduzir sua vida, de viver,
afinal... São Jovens! Jovens demais
para se preocuparem com o amanhã, indomáveis demais para simplesmente pararem,
e invencíveis demais para simplesmente serem mortais!
Sempre repeti aqui no blog: A vida não é um mar de flores. E ainda digo mais: A vida, na verdade, é um grande processo de abrir mão das coisas. Ela é inconstante, sempre a querer se movimentar e mudar.
Em toda ação há uma reação, e entendo que cada um tem sua forma única de responder e solucionar a essas cristas e vales da Vida. Não quero dizer que a solução é ser Jovem para sempre, mas também não quero e não posso deixar o meu Jovem e o meu Príncipe morrerem só porque estou envelhecendo.
Para
mim, a verdade é que a vida fica mais bela quando não deixamos que ela
nos endureça tanto, ou seja, quando não deixamos nosso espírito jovial se extinguir.
Acredito que ela deva ser esse misto de ser novo e ser velho, que deva ser mágica, idealizada, e palpável, real, e também esse paradoxo
de mortalidade e imortalidade. Em fim, que ela tenha equilíbrio entre o Ser Jovem e o Ser Adulto.
Sejamos Jovens, infinitos, indomáveis, invencíveis e o tanto de "ins" que você puder imaginar! Viajantes desbravadores, príncipes(as) e Reis/Rainhas! E que tudo seja belo e mágico como as nossas primeiras vezes!
Super - Jovens!
Dezoito aninhos
Olho
para trás e vejo o tanto de experiências que acumulei. Vejo o além, e, ao mesmo
tempo em que sinto medo, sinto curiosidade e disposição para continuar
caminhando até onde o acaso ou o destino deixarem eu ir.
Por
fim, olho-me e, agora sim, me reconheço: Este sou eu! Ainda jovem,
mas entrando para a vida adulta.
Simplesmente CR!
Esse ano a música e o vídeo que escolhi refletem bem o que quis passar. É da banda da minha vida, a mais preciosa pra mim: Sigur Rós.
(A tradução do título "Hoppípola" é "Saltando em poças")
Parece
que o “Devaneios de um Jovem Gay”
nem será mais tão jovem assim...
Não!
Corrijo! (Risos). Não quero, não pretendo, e não vou deixar o jovem em mim
simplesmente se desvanecer.
No fim de tudo é sempre isso que
nos sobra: Lembranças...
Todos
possuem medo de algo e isso é um fato. Apesar disso, meu medo nunca foi de algo
materializado, algo que eu pudesse tocar ou sentir, mas sim de algo totalmente
o contrário, algo abstrato, que se encontra presente em nós e em praticamente
tudo ao nosso redor: O Tempo.
O Tempo
é algo inevitável e uma das formas que percebemos a existência dele é quando,
por exemplo, vemos coisas simples como uma planta crescer, quando vemos nossa
imagem refletida no espelho, ou quando olhamos fotos nossas de uma época que já
se fora. Sim, é aí que percebemos o que o tempo nos ocasiona e o quanto ele nos
faz vulneráveis, e, para ser sincero e mais específico, é disso que tenho medo:
de envelhecer.
Não. Não é porque os anos tomarão a jovialidade de minha pele, ou porque estarei
mais “próximo” de minha morte, mas a imagem que possuo das pessoas que tem uma
idade avançada é a de que são pessoas cheias de lembranças, e lembranças, de
certa forma, doem. Esse é meu medo: De tornar-me uma pessoa velha cheia de
lembranças.
Não. Não que eu queira viver do meu passado, mas é inevitável você não sentir
saudades daqueles bons momentos. Sim, sim, agradeço e fico feliz por ter vivido
esses momentos, mas, de certa forma, ‘érr’ complicado dizer Adeus.
Apesar
disso, não acho que seja necessário chegar à idade avançada para sentir isso, pois olhem para
mim: Já possuo 17 anos (em breve 18) e já estou sentindo um pouco do peso das
lembranças.
Lembrar-me dos bons momentos me dá saudades. O
problema é que saudades é uma coisa que você guarda e não pode mais “usar”. Foi
bom e é bom se lembrar, mas não dá mais para vivenciar.
Apesar
de tudo, poderia eu “suprir” essa saudade dando um “Olá, tudo bem?” para quem
ainda está aqui, mas para quem já se foi isso não é possível. A Morte de alguém
especial é algo que te tira da sua zona de conforto e ainda vira ela de cabeça
para baixo, ou seja, te deixa sem chão. Além disso, ela quebra toda a sua
rotina, por isso que primeiramente torna-se tão dolorosa essa perda,
principalmente quando ela é tão repentina.
Aceitar
esse fato é complicado, mas mais complicado ainda é que você, de alguma forma,
e não importa como, vai ter que recomeçar, vai ter que reconstruir toda essa
zona de conforto novamente e, além disso, vai ter que se conformar de que essa
nova zona, essa nova rotina que se pretende construir, é na ausência desta
pessoa.
Sim, funciona mais como um exercício de
desprendimento.
E o tempo não para.
Desprendimento: No começo de tudo pensar nisso é o que mais dói, ou, melhor ainda, é o
impensável, pois estamos tão atrelados, tão juntos, a essa pessoa que não
aceitamos de forma alguma que ela se vá. Somos até mesmo capazes de mover céus
e montanhas para trazê-la de volta aos nossos braços, mesmo que isso não seja
possível.
Apesar
disso, existe um ponto-chave, uma “salvação” (será mesmo essa palavra?), que se
chama Tempo. Sim, é ele que mais uma vez se torna presente em nossas vidas. Ademais,
vejo que a maioria das pessoas possuem uma interpretação “errada” entre essa
relação do tempo e desprendimento:
“Não meus caros leitores, não esperem que o tempo venha a melhorar
tudo, porque ele não vai! A única coisa que ele vai fazer é distanciar você
dessa pessoa especial, e isso é feito a medida que ele vai passando.
Entendam que o tempo, de certa forma e assim como a Morte, é indiferente
para todos. Ele não vai te trazer felicidade, assim como ele não vai te trazer
tristezas. Ele não faz justiça e não é injusto. Ele apenas irá passar!”
Não
estou sendo cruel, pessimista, ou coisas do tipo! Apenas entendam o meu ponto
de vista: A presença dessa pessoa esvai-se na medida em que o tempo continua, e
é isso que faz você “melhorar”, pois você se “acostuma” com a ausência dessa
pessoa, ou melhor, você esquece, abandona, toda a rotina antiga (em que nesta a pessoa se encontrava presente) e aos poucos cria uma nova, que no qual essa
pessoa não se encontrará presente.
E o que
nos resta? Bom... A mesma coisa que disse no começo desse texto: Lembranças de
um tempo vivido que se foi há muito tempo. Se eu, o CR, devo ter medo de
tornar-me um velho cheio de lembranças? Talvez sim, talvez não, mas não
importa, afinal, isso faz parte da Vida, isso faz parte da sua beleza estranha,
mas única! Pessoas vêm e vão, assim como amores vem e vão, e A Morte não se faz
necessária para que isso aconteça.
Querem saber de uma verdade? A Vida é um grande processo de abrir mão,
e não esperem que ela lhes deem a oportunidade de dizer um ‘Foi bom te
conhecer’. Pode ser doloroso não ter essa, mas apenas sintam-se felizes por
ainda terem tido a oportunidade de ter conhecido uma pessoa tão especial.
No fim das contas um dia tudo isso acaba para todos nós, e, quem sabe,
talvez nos reencontremos novamente em algum outro lugar, afinal, isso pode não
ser provável, mas continua sendo uma possibilidade.
Não meus Caros Leitores, esta não será uma
postagem de incentivo, de ajuda, de reflexão ou de um devaneio qualquer. Para
falar a verdade, gostaria que esse texto fosse para falar da felicidade de começar o meu primeiro namoro, mas, mediante ao que aconteceu
tão recentemente este texto, na verdade, será um grande desabafo meu para com
vocês.
Eu acreditava que
só conheceria minha primeira grande paixão ao acaso, ou seja, conheceria no
meio da rua, na parada de ônibus, em um consultório, ou em qualquer outro local
em que fosse improvável esta estar lá.
Apesar disso,
conheci o Thalis através de um grande amigo meu. O P (meu amigo) havia entrado na faculdade recentemente, e, sabendo
eu que a faculdade é um universo totalmente diferente da escola, pedi para ele
se havia a possibilidade dele me apresentar alguém interessante, e, por minha
felicidade, esse alguém existia.
Melhor ainda foi
perceber que esse alguém era bem parecido comigo e vice-versa. Thalis tinha a
mesma idade, 17 anos, era Libriano (mesmo signo), era totalmente inexperiente
assim como eu, tinha um jeitinho meio desengonçado, lerdinho, sempre mostrando
aquele grande sorriso que tinha, além de bem sociável, e quase sempre pensava e
agia da mesma forma em que eu pensaria ou agiria. Sim! Ele era a pessoa que eu
tanto estava procurando. Era o sonho do
amor adolescente se realizando para mim.
Claro que não
poderia perder a oportunidade, então chamei-o para assistir “Pompéia” (filme
muito bestinha por sinal), só nós dois. Afirmo que o cinema foi um lugar
propício para o romance e realmente rolou muita química entre a gente, mas o
melhor de tudo foi que pela primeira vez andei de mãos dadas abertamente pelo
shooping sem me preocupar com a opinião alheia. Sim! Aquele encontro tinha dado
certo.
Diferentemente dos
outros primeiros encontros com outras pessoas, o papo não parava e a
identificação só aumentava. Logicamente não poderia terminar por aí, então rolou mais um cineminha (dessa vez acompanhado ao P e o namorado dele), mas confesso que dessa vez minha atenção estava voltada
inteiramente ao Thalis. Rs!
O que mais me impressionou foi o fato de que os encontros estavam dando certo, e deu tão certo que no terceiro encontro, pela primeira
vez, fui conhecer a família e os pais na casa dele... E, acreditem, fiquei
MUITO nervoso quando o pai dele veio falar comigo.
Acredito que tenha
dado para perceber que tive algumas das minhas “primeiras vezes” com ele, e, assim,
vendo que existiria uma grande possibilidade de haver um futuro promissor se
nos juntássemos, comprei um cordão de ouro para ele e decidi que no quarto
encontro iria pedi-lo em namoro:
“Thalis, quero que você saiba que estava há um bom tempo procurando uma
pessoa especial. Estava procurando uma pessoa com que eu me sentisse à vontade
e que me identificasse com ela.
Quero te dizer que finalmente encontrei essa pessoa. E quero que você
saiba que estou disposto a arriscar meu primeiro namoro com esta pessoa!
Thalis... Quer namorar comigo?”
Foi no dia 16 de
Março e em minha casa que ele me disse um SIM,
e eu nunca tinha me sentido tão feliz. Finalmente estava namorando pela
primeira vez. Finalmente tinha conseguido o primeiro namorado! É impressionante
de como a vontade de gritar para o mundo e dizer “EU TENHO UM NAMORADO!!” existe e é gigantesca!
E foi-se assim: No
quinto encontro ele me levou para conhecer a faculdade que no qual ele estava
cursando “Ciências Biológicas”. Sinceramente, valeu muito a pena ter faltado
a aula de sexta-feira só para conhecer lá, pois você percebe que é um mundo
totalmente diferente e que as pessoas são bem liberais.
Para o sexto encontro fui para a beira-mar
andar de patins junto com o P e o
namorado dele (só para garantir algumas quedas) . E no sétimo encontro posso
lhes afirmar com toda a certeza de que foi o melhor encontro que já tive em
minha vida: Ele veio passar o final de semana aqui em casa, veio dormir comigo!
Sabem o que é
passar o dia inteiro grudado na pessoa que você gosta? Se não sabem posso lhes
afirmar com toda certeza:
Não existe
sensação melhor do que você dormir ao lado daquele que você tanto gosta. Passar
o dia beijando, acariciando, juntinho e apertadinho do seu amo!
Eu NUNCA me esquecerei desse dia!
E durante esse tempo que ficamos juntos nunca tinha visto um olhar tão sincero como o dele. Diferentemente dos outros
olhares, era o olhar de uma pessoa apaixonada, como se diante desta pessoa
estivesse a coisa mais preciosa em sua vida. Pela primeira vez havia encontrado
um olhar que me agradasse e que correspondesse ao que eu também estava sentindo.
Infelizmente não
houve um oitavo encontro, pois não o pude ver no final de semana (Do dia 5 e 6),
afinal, teria que fazer um simulado, mas, de qualquer forma, tudo estaria bem, afinal,
iria vê-lo Domingo no cinema e decidir com ele se iríamos assistir “Noé” ou “Hoje
eu quero voltar sozinho”... Mas... Na verdade, só iríamos...
10/04/14
-CR: Alô?
- Thays: É o CR?
- CR: Sim, sou eu.
-Thays: CR, sou eu, a irmã
do Thalis.
- CR: O que aconteceu?
- Thays: ... Aconteceu algo com o Thalis. A notícia que recebemos é que ele está na ambulância devido a um acidente.
Foi um murro tão
certeiro que fez o meu mundo parar. Todas as minhas estruturas que eu acreditava
serem fortes e estáveis não conseguiram suportar esse peso... Não podia ser
verdade! Isso só não passava de uma brincadeira dele! Eu tinha certeza de que ele iria pegar o
telefone e falar “É brincadeira morzão!!”, mas, por mais que eu negue, e por
mais que minha ficha não tenha caído, era verdade! O Thalis havia sofrido
um acidente e não conseguiu resistir a isso.
O pior de tudo é
que você não pode fazer nada, e a sensação de incapacidade é esmagadora! Eu
queria fazer algo! Eu queria sair a procura dele, na inútil esperança de
encontrá-lo, eu queria ter tido a chance de o ver pela última vez, e eu queria
salvá-lo de algum forma!
Minha inquietação,
minha ansiedade, era notável, mas de tanto andar de um lado para o outro acabei
por deixar-me cair no limbo, sem rumo e sem objetivo... Pareceu até que a vida
tinha perdido todo o sentido!
O que me restara? Apenas... Chorar... E em toda a minha vida, eu nunca
chorara tanto.
E por mais que eu
chorasse, por mais que eu quisesse sair à procura dele, por mais inquieto que
eu estivesse, e por mais que eu implorasse A Vida para reverter a situação (com a
desculpa de que já havia entendido que dói muito perder alguém importante),
absolutamente NADA, N-A-D-A em todas as suas letras, iria trazer ele de volta,
e não existe dor maior que essa!
Estava com esse
texto prontinho só para anunciar a vocês que estaria completando meu primeiro
mês de namoro e mostrar ao meu “morzão” que tinha feito um texto só para ele
em meu blog, mas não! Eu tive que mudar esse texto inteiro só para desabafar ao
mundo de como o que aconteceu havia me deixado com uma ferida latente muito
grande e em como ela dói.
Tudo o que eu mais queria agora era ter uma
última oportunidade de falar com ele, tudo o que eu queria era ter a chance de
dar um Adeus a ele. Coisa simples como: Thalis, te conhecer foi uma das melhores coisas que aconteceram em minha vida, mas já que não está sendo possível ficarmos juntos por mais um tempinho, eu só quero que você procure ser feliz aonde quer que esteja! Adeus Thalis!
... Mas a vida, além
de o ter tirado a força, não me deu essa oportunidade!
Thalis,só queria que você soubesse o quanto eu gosto de você e o quanto
sinto sua falta! Sei que nunca mais poderei conversar contigo ao telefone, que
nunca mais vou poder te abraçar bem forte, ou te beijar, ou simplesmente sentir
seu cheiro, e isso está sendo muito pesado para poder aguentar.
Todos os meus objetivos e planos para com a nossa relação foram
destruídos, não sobrando absolutamente nada! Só o que me restou de você foi a
aliança que me destes com tanto carinho, mas isso não está sendo o suficiente.
Posso estar sendo egoísta, mas a verdade é que quero você ao meu lado! Ainda
não consegui aceitar a ideia de que nunca mais te verei enquanto vivo.
Com certeza não está sendo difícil só pra mim, mas sim para
todos que conviviam com você! Estamos sentido sua falta e está sendo difícil
conviver com isso.
Mas saiba que continuo lhe desejando o melhor possível, e que só quero
que você esteja bem em algum lugar, pois o seu bem-estar era o que eu mais
desejava, e a sua felicidade sempre será a minha. Sei que você ficaria feliz ao
ver que fiz um texto com tanto carinho só para você em meu blog.
Você foi uma pessoa maravilhosa e que marcou a vida de cada um que
conheceu, e como meu primeiro namorado eu só poderia dizer que você é
insubstituível. Relação melhor que a que tivemos é impossível e inexistente.
Não sei quanto tempo vai demorar até que eu me acostume com a ideia de
que você nunca mais irá me mandar um “Bom dia morzão!!”, ou que você nunca mais
irá me ligar para madrugarmos a noite inteira ao telefone. Só o que me resta a
fazer é realizar o que parece impossível: dar-te um Adeus...
.
Que fique aqui registrado nossas despedidas ao telefone, pois essa é a
única forma que consigo fazer isso:
-CR: Morzão?
- Thalis: Oi?
- CR: Lindão, maravilhoso?
- Thalis: Diz...
- CR: Gatoso, anjo caído?
- Thalis: Fala...
- CR: ...Vou dormir morzão.
- Thalis: Owwwww!!... Tá bom!
- CR: Gosto muito de ti viu?
- Thalis: Só muito?
- CR: Muitãozãozão!!
- Thalis: Também gosto muitãozãozão de ti!
- CR: Tá bom meu lindo... Só meu?
- Thalis: Só seu! Só meu?
- CR: Só seu!... Boa noite meu lindo, dorme bem e
bons sonhos!
- Thalis: Boa Noite, e sonhe comigo!
- CR: Sempre sonharei contigo!
Amo-te, e nunca me esquecerei de você!
Atualização Dezembro 2022: Havia uma foto e um vídeo homenagem que tinha feito na época, mas por hoje eu decido não mais expor essa pessoa que foi tão importante em minha vida. Depois de alguns anos na era da internet a melhor e mais respeitosa coisa que posso fazer para com ele é manter a sua identidade em vida somente para com todos que compartilharam com ela.
Na postagem em que falo como
foi assumir-me para minha mãe estava questionando se era realmente necessário
assumir-me para a família (além de estar um pouco revoltado com as atitudes que
ela estava tendo). E hoje venho apenas narrar como foi assumir-me para o meu
pai.
É interessante o
fato de que quando nos resolvemos com os nossos amigos, quanto a nossa
sexualidade, começa-se a ter uma “exigência”, que pode vir deles ou de você
mesmo, para quando você irá assumir-se para os seus pais. Além disso, mesmo não
existindo essa “exigência”, você acaba por criar planos de como e quando irá
contar para eles.
Acredito que seja
assim com todos, afinal, comigo não foi diferente. Tinha planos de contar para
minha mãe apenas quando estivesse namorando alguém ou tivesse dado o meu
primeiro beijo, mas não foi assim, pois acabei por contar BEM antes do primeiro
beijo e infinitamente antes do primeiro namoro (nem namorado eu tenho ainda!).
Assim como tinha
planos de como e quando iria contar para minha mãe também tinha planos para com
o meu pai, afinal, pretendia contar para ele apenas quando estivesse em minha
faculdade, ou seja, por volta dos meus 20 anos, mais ou menos, e, apesar disso,
foi muito antes do que isso.
Acredito que tenha
sido por volta de Julho que ele tenha “descoberto”. Durante esse período estava utilizando o Notebook dele (não me recordo do porquê), logo, meu e-mail ficava
aberto. Nisso, ele acabou lendo um dos meus e-mails trocados com o MVG, mas o
único problema é que eu estava com o meu pseudônimo na troca de e-mail (CR) e
isso dificultava dele saber se era realmente eu quem estava expressando-se
naquela mensagem.
No fim das contas
ele acabou perguntando se o “CR” era eu, e como não teria coragem de negar
minhas “existências”, acabei falando: “Sim, sou eu”. Acabou por chamar a mãe
para conversar e iniciou-se uma discussão não muito legal entre a gente.
Recordar-se desse
dia não é algo que aprecio, afinal, não tive uma reação legal com eles (Sou
muito estressado, logo, a discussão foi na base dos gritos e quase que
violência por minha parte). E não é
a primeira vez que me explodo com o pai.
No dia seguinte
decidimos conversar (Eu e meu pai) como duas pessoas decentes (ou uma né? Por
que eu estava feito bixo naquele dia). Como argumentos meu pai utilizava os mais
famosos: de que isso era errado, que era pecado, e eu, de alguma forma, tinha de organizar alguns
de meus argumentos para demonstrar que as coisas não funcionavam assim. Depois
de uma longa discussão mandei um argumento que mexeu muito com as estruturas
ideológicas dele:
“As pessoas são feitas por ideologias e
vivemos em um mundo que está diverso de ideologias. Quem garante que só essa
que você apresenta é a correta?”
Depois disso
decidimos parar nossa conversa e seguir nossos rumos.
Analisando a
situação daquele dia só vim perceber que o que preocupava ele não era o fato de
ser errado ou pecado, ou de que era o medo de eu mudar, afinal, isso estava
em segundo plano, mas sim a reação das pessoas que estão ao nosso redor. Coisas
do tipo: “O que as pessoas vão comentar sobre mim e minha família? Temos um
filho gay!”.
Apesar desse tipo
de pensamento me revoltar um pouco (no qual é o mesmo pensamento de minha mãe),
havia me esquecido de uma das principais coisas que se deve ter para com
aqueles que sabem sua sexualidade:
“É só uma questão de tempo, adaptação e
convivência. Cada um tem o seu.”
No fim de tudo meu
pai teve a mesma reação que minha mãe, mas a diferença era que ele havia
expressado isso mais nitidamente do que ela. Assim como minha mãe sofreu,
chorou e decidiu esquecer essa história, meu pai também sofreu, chorou e
decidiu esquecer.
Já estou passando
pelas primeiras fases da aceitação dos pais. Assim como eles decidiram esquecer-se
desse fato eu também decidi esquecer-se dessa responsabilidade, mas e quando
minha homossexualidade começar a expressar-se mais nitidamente? Como será a
nossa reação?