domingo, 29 de abril de 2018

Tons de Rosa



"And oh my love remind me, what was it that i said? I can't help but pull the earth around me, to make my bed..."


"Hoje encontrei uma carta. Uma bela carta, por sinal. Nela haviam palavras carinhosas, açucaradas com uma doce utopia de um relacionamento bem degustado. Digo utopia, pois, por até engraçado que seja, o autor ainda não tinha vivenciado tudo o que ele afirmara vivenciar, como se fosse algo previsto ou mesmo uma bela esperança para o seu relacionamento tão recente.
Ingenuidade ou não, foi algo belo de se ler. O que a paixão é capaz de fazer conosco, não é mesmo? Se as pessoas vissem a paixão com uma lente mais adaptada ao termo talvez não fosse tão difícil encontrar alguns frascos cheios de paixão. Não que seja algo necessariamente raro, mas existe um grande receio de se adocicar a vida com algumas gotas dele.
Infelizmente devo dizer que a carta estava incompleta. Não por maldade do autor, mas sim por ele mesmo desconhecer a dádiva de um relacionamento. Ouvi dizer que A Vida ainda não o tinha presenteado com algo do tipo, talvez por isso tenha tido a impressão de que faltava algo para completar aquela bela carta. Apesar do autor afirmar ter vivenciado todo o relacionamento ainda não acho que ele conseguira colocar tudo o que acontecera conosco naquelas palavras. Foi muito mais do que eu esperava e do que com certeza ele esperaria.



"And oh my love remind me, what was it that i did? Did i drink too much?..."


Começou com um vermelho vívido, salpicado com alguns tons do verde tão jovial e esperançoso. Durante foi temperado também com um amarelo enérgico, que se misturou com o vermelho para vivenciarmos um alaranjado. Por um tempo, quando essas cores se esgotaram, assumimos o tom neutro do cinza. Por fim, deleito-me em vários tons de rosa.
Vez ou outra pintamos e repetimos algumas cores dessa aquarela, mas acredito que o rosa venha a permanecer por mais um tempinho conosco. Mesmo assim, uma aquarela de cores não consegue resumir o que vivenciamos em um ano juntos.
Aquele autor pelo menos em parte acertou. Vivemos de beijos calorosos e desentendimentos, acumulamos boas e más lembranças e nossos sentimentos se findaram. Você mudou e eu mudei. Você me mudou e eu te mudei. Nos tornamos um pouco um do outro, algo natural de qualquer bom relacionamento, e ainda digo mais: sua presença tornou-se uma necessidade para mim. É difícil me imaginar longe de você.
Para alguém que não acredita na permanência das coisas da vida essa necessidade é algo grandioso, e talvez algo até inimaginável para aquele ingênuo autor. Eu não sei o que é saborear certos momentos da vida sem ter você ao meu lado, afinal, o que me importa hoje é dividir essas experiências com você. Saiba que a vida fica um pouco mais bela com você ao meu lado/ela ganha um pouco mais de cor e sabor. Não tão saturada, mas a um pouco do nível de uma beleza utópica, algo que não era para ser real, mas que se tornou algo palpável para mim.



"Am i losing touch?..."


Os tons de rosa do nosso relacionamento não me permitem arriscar a escrever aqui o que vai ser o nosso relacionamento daqui para frente/não me permitem a ingenuidade do meu eu de um ano atrás. Não que eu não goste mais da cor verde, mas é por somente eu ter aprendido com você que relacionamento mais se constrói do que se idealiza. O máximo que me permito a dizer, e a única certeza que tenho, é que daqui para frente nós vamos nos mudar mais e mais, e eu, mais uma vez, me permito a isso com você.
Posso te dizer hoje que sim construímos uma bela história para contar. E eu não tenho palavras para expressar o quão feliz e grato estou com isso.

Obrigado por me ter feito tão feliz durante esse ano.
Obrigado por estar fazendo parte da minha história
E somente obrigado!

Amo-te!

Ce- Fortaleza, 19 de Março de 2017."


"Did i build this ship to wreck?"

- Carlos R.
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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Por um momento, eterno



Carta escrita em 19.03.2016. Dedicada ao primeiro mês de namoro. Especificamente, na época, me colocando em um ano após meu primeiro mês de relacionamento.



"I was on a heavy tip / Trying to cross a canyon with a broken limb / You were on the other side, like always
Wondering what to do with life..."


"Amado A,

pelo que bem me lembro, deves estar em casa no exato momento em que lê esta breve e simples carta. Talvez um pouco tonto pelo café tomado neste dia (ou naquele dia, para o meu caso) tão especial e que fora tão maravilhoso para nós. 
Não se preocupe. Uma boa noite de sono melhorará o seu estado, mas antes deixe-me tomar um pouco do seu tempo. Quero lhe confessar algumas coisas que por vezes esqueci-me de falar, além das coisas que nunca cansei de repetir para você em todo esse tempo em que ficamos juntos.

Devo avisar de antemão que não sou o mesmo namorado que você conhece e está a conhecer no seu tempo atual. Mudei. Mudei muito durante o tempo em que convivi com você. Aliás, as vezes ainda me impressiono em como a convivência com você me mudou, em como conseguistes colocar um pouco de você em mim. 
Não que isso seja algo inesperado ou indesejado, mas apenas uma pequena forma da vida de mostrar o quão grande é a influência em nós mesmos de alguém que gostamos tanto. 
Nesses casos, é natural que nos tornemos um pouco do outro e vice-versa.

O que me impressiona é justamente o fato de isso ter acontecido com você. Sim, você!
Não me interprete mal, por favor, mas é que passei a acreditar por um bom tempo que apenas as minhas grandes amizades seriam capazes de fazer isso em mim. Não conseguia acreditar que a vida ofereceria a mim essa naturalidade da convivência como dádiva de um namoro bem sucedido. Nunca achei que poderia me sentir tão bem ao lado de uma pessoa que vai muito além da "simples" palavra "amigo".

Hoje posso dizer que, sim, uma parte de você está em mim.


"... I'd already had a sip / So i'd reasoned i was drunk enough to deal with it / You were on the other side, like always
You could never make your mind..."


Não vou narrar aqui todos os acontecimentos do nosso namoro que levaram a essa maravilhosa conclusão. Não quero e não vou estragar a surpresa, mas, não se preocupe, nós vamos viver estes acontecimentos.
Entre beijos calorosos até aos desentendimentos. Das festas aos "porres". Das boas às más lembranças. Em fim, dos melhores momentos deliciados aos mais difíceis aturados, ou seja, entre tudo o que um bom relacionamento tem a oferecer nossos sentimentos se findaram.

Só peço que, nesse nosso caminhar, não desistas, pois em nenhum momento eu desisti de você.

Sei que, agora, podes não vir a entender o que estou a dizer, ou que as minhas palavras não venham a ter tanto sentido, afinal, no seu tempo atual estamos apenas no nosso primeiro mês, mas acredite em mim, e tenha um pouco de paciência: um dia entenderás e se maravilharás assim como eu ao olhar hoje e todos os dias para você.

Estou contente. 
Estou mais do que contente: estou feliz ao seu lado.
Estou feliz pelo que vivemos, e espero que, mesmo depois de um ano, isso aqui dure por mais um bom tempo.

Um beijo do CR!!
Ce - Fortaleza, 19 de Março de 2017."

"... And with one kiss / You inspired a fire of devotion / Tha lasts for twenty years
What kind of man loves like this?"

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Linha do tempo

Opa!

A partir daqui ocorre um limbo e começa a era "Devaneios de um Jovem gay", ou seja, daqui para baixo são postagens mais antigas da minha antiga versão do blog e todas terão o selo "DJG" (que representa o nome antigo do blog).

Espero que aprecie caso esteja nessa mesma fase que estive, assim como espero que não se assuste tanto com a imaturidade e inocência desse antigo jovem se descobrindo como gay e ainda aprendendo com questões da vida.

Abraços do CR!!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Momentos

                “Carpe Diem”, disse o mestre.



                Perdi as contas de quantas vezes idealizei beijos e carinhos após ver outro garoto na rua, ou em um desses vários aplicativos que existem por aí, que me atraísse ou despertasse meu interesse.
                Apesar disso, me manter nesse mundo idealizado não é lá um dos meus pontos fortes, ou pelo menos deixou de ser após minha primeira paixão platônica, por isso que, por mais “difícil” que seja, sempre tentei arranjar algum meio de conhecer aquela pessoa que estava desejando naquele curto período de tempo.
                Consigo contar nos dedos de uma mão as tentativas que deram sucesso, e, mesmo que fosse um sucesso, nunca era a opção que eu mais desejava, e sim a que eu não criava planos de conhecer. Pior ainda é que o máximo que consegui dessas tentativas foi arrancar um beijo e alguns encontros, nada além disso (não que eu ache ruim).

                Claro que estou excluindo outros fatores que fizeram o anseio não se realizar: Eu e ele não combinávamos, não era correspondido ignorado, distância, tempo, planos, etc, etc, etc. Tirando essas razões, sempre me indaguei sobre o “Por quê” de algumas idealizações minhas com o outro não darem certo, ou não poderem se realizar no atual momento, e a resposta mais plausível, ou que saciou a minha dúvida, obtive na convivência com uma pessoa.


                A questão é que devemos saber aproveitar e, acima de tudo, entender, analisar, a situação, o momento, em que estamos com outro. Esse é o segredo.

                Um exemplo: Uma prima minha, iniciando a sua adolescência, teve a oportunidade de ficar com um carinha em uma festa, mas não ficou. Não por falta de interesse, simplesmente não aconteceu (nervosismo dela talvez). Tinha ela me dito que ele a ia procurar no facebook, e eu, observando o caso, disse a ela que isso não aconteceria, e realmente não aconteceu.
                Bastava ver o ambiente: Na balada de uma festa. Quais são as chances de alguém, nesse ambiente, ter o interesse em ir atrás de conhecer o outro? São poucas. Além do fato de serem pessoas novas, que querem apenas aproveitar aquilo que estão vivendo naquele instante, e também pela proposta de ser apenas um fica.
                Não quero e não estou generalizando. Há casos raros.

                Quais são as chances de surgir um relacionamento a partir de um aplicativo? Poucas também. Isso se dá simplesmente por ser algo “forçado”: Você tem de marcar encontro. Não é algo casual, que simplesmente acontece. Não é como conhecer uma pessoa por acidente. Além desses aplicativos serem, na verdade, um grande catálogo onde você vai escolhendo quem lhe interessar, e não quem esbarrar com você no caminho.




                O que acontece é que, muitas das vezes, procuramos algo no lugar e na hora errada. E o pior é que não temos noção disso. Repetindo: O segredo é saber se o momento está propício para o que você procura.

                Tem de se levar em conta o estado em que cada um se encontra: Há momentos em que estamos dispostos a namorar alguém, e há momentos em que queremos apenas curtir. Somos mais amigáveis durante um período, ou voltamos a nossa atenção para apenas a quem conhecemos.
                Nossa maturidade também entra nesse quesito: Quando estamos vivenciando o nosso primeiro amor, degustando de novas experiências, a forma como lidamos e respondemos ao outro, nossas ideologias daquele tempo, ou seja, Quem nós somos naquele instante.
                Também tem a clássica: A Primeira Impressão. Conta bastante, mas não nos esqueçamos de que é uma consequência do que acabei de falar: de Quem nós somos, ou, melhor dizendo, de Quem estamos sendo naquele instante (vide ao fato de sempre mudarmos com o tempo).


                Vejo que, aceitando isso, um leque de possibilidades é aberto em relação ao ato de conhecer o outro, além do fato de aprendermos a lidar de maneira mais extrovertida, de forma menos estressante, com as casualidades da vida. Posso causar a melhor primeira impressão em alguém, ou a pior. Vir a me tornar o melhor amigo, ou o mais odiado inimigo. Um dia ser o amor da vida dela, ou um estranho.
                E tudo isso depende de todos os fatores externos e internos. Depende de mim, da pessoa, do dia, do local, da hora, em fim, do momento! A verdade é que, vendo toda essa casualidade, posso vir a me tornar qualquer pessoa diante do outro.

                E se não funcionou como você esperava, tenha certeza de que um dia possa vir a dar certo, afinal, todos nós somos uma enorme e infinita metamorfose ambulante!

                 Paciência amigo! Sente e aproveite o dia!



E disse o mestre: Carpe Diem!
Aproveite o dia
Aproveite o momento.




Abraços do CR!!

domingo, 28 de dezembro de 2014

Fênix


                “Uma última foto pessoal!”
                Todos se preparam. Escolhem ficar do lado de quem mais gostam, de quem mais possuem intimidade. Abraçam, beijam, levantam dedinhos, e mais uma variedade de poses é feita para essa última foto. Não estou excluído dessas facetas, afinal, faço parte desse grupo... Corrijo: Fiz parte desse grupo.

                Eu os vejo. Eu os sinto... Eu os vi, e eu os senti. Ainda não consigo entender esse misto de crueldade e maravilha que é A Vida e O Tempo. É uma beleza muito estranha aos meus olhos.



Autor: Bertil Nilsson
(Renascimento da Fênix)



                O poder divino dos deuses, a transcendência do corpo, a renascença da alma, a existência de seres míticos, contos e estórias, e entre outras várias fantasias foram criações do ser tão único que é o homem. Uma eterna busca por algo que o fizesse, de alguma forma, "vencer" o tempo. A necessidade do homem de ganhar das suas “fraquezas” sempre existiu, e não é hoje que irá acabar.

                A imortalidade, o maior anseio desse homem, é uma maldição ou uma dádiva? Relativo. Quanto tempo duraria essa imortalidade? Quinhentos anos? Cem mil anos? Nove vezes o tempo de existência de um corvo? A idade de uma Fênix?
                Pergunto, pois, paradoxalmente, nem mesmo uma Fênix, ser criado por esse homem, e símbolo da imortalidade, é imortal. A ave do grandioso ciclo, ao final da sua vida, quando teve de deixar de existir, lança aos ventos suas cinzas a fim de mostrar de que ninguém escapa do caminho tão certo que é a morte.
                Mas é nesse mesmo negro de dor e sofrimento que nasce uma pequena faísca, um sopro de vida, que é uma nova Fênix... Uma esperança seria? Indícios da imortalidade? Mais um ciclo!

                Quanto tempo dura esse grandioso ciclo de morte e renascença da Fênix? Quantas vezes uma Fênix tem de morrer e renascer para alcançar um objetivo que nem mesmo se tem certeza, se é que existe um objetivo? Nós, humanos como somos, poderíamos ser o ciclo por um todo ou um resultado de cada ciclo completado? A junção dos dois? Ou seja, em uma vida, morremos só uma vez?






Não.
E essa é a única resposta que posso lhes dar.


                Quantas vezes morrestes e renascestes durante a vida? Quantos Eu’s deixastes de ser no percorrer do caminho? A Vida, sendo a nossa grande guia, é um grande martelo que nos lapida com o passar do tempo, ou talvez nós nos lapidamos com o que A Vida nos oferece. Sendo uma questão de perspectiva, é inegável o fato de que, inevitavelmente, deixamos de ser quem nós somos, ou seja, de que O Tempo tira a nossa identidade (ou seríamos nós, seres de razão, a tirarmos a nossa própria identidade?...) Não culpo o tempo, apenas sei, em minha condição humana, que sou mutável.
                Não sou o mesmo de dez anos atrás, e nem serei o mesmo daqui a dez anos. Ontem fui um eu, hoje já sou um novo eu, e amanhã serei um outro. O que causa tudo isso? Amores e amizades? Intrigas e desentendimentos? Não ignoro tais fatores por serem sim causadores de nossa mudança, mas acredito que são nas despedidas que está a essência dessa Fênix.


                Me perdoem, sou um Homem de fins, e não de começos. Para mim, começos são consequências. Não nego que um novo amor e uma nova amizade, ou seja, novos relacionamentos nos renovem. Estes, além dos infinitos e novos problemas que persistem em existir nos nossos caminhos, são os que moldarão esse nosso novo Eu, essa nova faísca, essa nova Fênix, mas vejo que são os fins, as despedidas que são responsáveis por criar essa nova pessoa.


Os fins são as chamas que queimam a velha Fênix.

               
                Quando me despeço de uma ou várias pessoas, o eu que eu era para elas deixa de existir no momento do adeus. Nenhum outro grupo poderá reviver essa pessoa que existiu na linha do meu tempo, e mesmo reencontrando esses antigos entes, ou relembrando-os, apenas terei um vislumbre de quem eu já foi.

                Quando encontras, depois de muito tempo, por destino ou acaso, aquele seu amigo de infância e, depois das saudações, começam a lembrar de todos os momentos bons e ruins que viveram juntos, ou quando simplesmente se sentas na cadeira e, por algum motivo, começas a lembrar dos momentos que já vivera, percebes que nessas e outras horas o quanto já morrestes e renascestes durante a tua vida.


Aí que está a relação íntima entre Tempo e Lembranças.


                No fim, ironicamente ou não, somos culpados pela nossa própria morte. Assim como a Fênix, quem constrói nossas piras que, logo logo, se atearão ao fogo, somos nós mesmos.






               Mudar, morrer, dói. Pior ainda é que, como a Fênix, sabemos de antemão quando a hora chega, exceto às raras vezes em que não estamos preparados. Como no ritual, em meio a todo o terreno que se desmorona, tristes melodias são entoadas pelo nosso antigo ser tão desgastado.

                Choramos como se fosse a nossa última vez... Por que choramos? Não somente por doer, mas saibam que lágrimas de Fênix curam. Curam nossas feridas, curam nosso ser.
                São lágrimas que descarregam todo o peso de dor e sofrimento que o antigo eu tanto tinha depois de viver uma vida de imortalidade.


                Esperança, mutabilidade, renovação e imortalidade... Tudo.


Quem nós somos?
Somos Fênix na vida






                Uma última foto? Sim, uma última foto, para que as cinzas do Eu que já fui não sejam simplesmente levadas pelos ventos e esquecida pelo o resto de minha vida.
                Vocês, acima de tudo, existiram para mim. Eu os vi, eu os senti. Sei quem já foram, e agradeço profundamente por terem sido quem foram.


                Sei que minha morte é inevitável. Despedidas são inevitáveis. Renascer é inevitável. Quão cruéis O Tempo e A Vida são! Mas que estes me deem o direito de guardar estas minhas cinzas na minha vasta memória, que, na verdade, é uma enorme Cruz que carrego em minhas costas.
                Fraqueza ou não, me perdoem, Tempo e Vida, mas não quero me esquecer das cinzas de um tempo que já fora, das cinzas da minha história.







                Quanto tempo dura esse grandioso ciclo? Quantas vezes terei de morrer e renascer nessa vida? Quanto tempo dura essa imortalidade?

Seria a idade de uma Fênix?





Abraços do CR!!

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Ser Jovem

                Não, não havera nada de especial nesta manhã que acordei. O céu não aparecera mais azul, o sol não nascera mais brilhante e o dia talvez seja como qualquer outro da minha longa e normal rotina. Que chatinho...
                Apesar disso, levanto-me e olho-me no espelho. Vejo-me e toco-me como se não me reconhecesse. De alguma forma não conseguia me identificar. Era estranho a mim mesmo. Será? Nem parece verdade... Eu realmente estou envelhecendo.




                É bem provável de que o clarão tenha sido a primeira imagem que viera aos nossos minúsculos olhos. Passamos tanto tempo dentro de um quarto escuro que no primeiro sinal de luz mal conseguimos olhar diante de tanta claridade. “Olá mundo”, “Aonde eu estou?”, “O que está acontecendo?”, e entre outras tantas variadas frases e perguntas talvez tenhamo-nos feitos naquele momento, ou mesmo nenhuma.

                Indago-me: Por que choramos quando nascemos? Ou melhor: Por que temos de nascer!? Aposto que estávamos tão relaxados e bem acomodados naquele pequenino lugar que acredito que não houvesse tanta necessidade de sair dali. Era silencioso, escurinho e bem reconfortante. Nada  nos incomodava.

                Apesar disso, e se vermos por um lado, talvez seja essa a resposta para a primeira pergunta. Sabemos o quão difícil é sair da nossa zona de conforto, e foi tão difícil para nós no começo que simplesmente choramos.
                De alguma forma, parece que naquele momento perdíamos toda aquela proteção que nossa querida mãe nos oferecia, e que a partir dali estaríamos mais vulneráveis ao que está fora... Não, não posso tratar apenas como uma suposição. Realmente perdemos essa proteção e ficamos mais vulneráveis no momento em que nascemos.

                Vendo assim, a verdadeira frase que realmente devemos ter pensado naquele momento fora:

“Eu não estou preparado”

                Pois não nascemos prontos para viver, e choramos, pois, mesmo sendo assim, não tivemos a opção de escolher.


                Frente a este momento, a primeira vista, tão desesperador, porque teríamos esperança? Não tivemos motivos para tal! Até que, para a nossa felicidade, quando vamos em nossa primeira procura por uma base, sentimos, em nossas pequeninas mãos, um dedo! Sim, um dedo! Um dedo que um pouco mais tarde se tornaria uma mão. Mão esta que nos guiaria por um curto, mas longo período de nossas vidas.

                E é com essas duas pessoas (e não mais mãos) que vamos crescendo com o passar do tempo. Tudo até que fica mais “fácil”! Tão fácil que até chegamos a conclusão que A Vida lá fora não é tão complicada e difícil como imaginávamos que seria dentro do útero, e que ela é até mesmo mágica!



Eu sou um Monstro! Rhooaaar! E você deve fazer o que eu mandar!



                É com essa magia e fantasia que norteamos o nosso rumo. Lutamos contra cavaleiros e dragões, salvando, assim, a pátria! Viramos Os Heróis! Tornamo-nos As Super-Crianças! Somos pequenos príncipes e princesas que reinam o mundo fantástico.
                Impressionante o quanto inocentes somos ao ponto de acharmos que o amor de pai e mãe é o único que existe, e que se apaixonar por outro é motivo o suficiente para ficarmos todos vermelhinhos de vergonha, principalmente quando ficamos, pela primeira vez, de mãos dadas!

                A verdade é que temos coroas e espadas e absolutamente nada pode nos derrotar! ...

Nada?

                 E é aí que tropeçamos numa pequena, pequenina pedrinha, e machucamos nossos joelhos. “Mãe, Pai!” são os primeiros nomes que gritamos (isso se já não estivermos sentados aos choros e soluços no chão).
                 Para nos acolher esses chegam de braços abertos , mas, para a nossa infelicidade, com o famoso Merthiolate em mãos.


“Ai Mãe, tá doendo!”
 “É, mas vai passar”


                Ironicamente é dessa forma que vamos aprendendo a conviver com a dor. Vemos que não adianta sentar e chorar. A dor é grande e uma lágrima ou outra é aceitável, mas com um pouco de Merthiolate e com um pouco de coragem e disposição devemos nos levantar.
                 Notavelmente é assim que vamos crescendo, e, inevitavelmente, endurecendo. E são esses “mentes” que, infelizmente, nos tornam cada vez menos príncipes e princesas.

                De repente, as coroas e as espadas que tínhamos não existem mais. Os dragões se tornaram moinhos de ventos e não salvamos mais a pátria. O amor e a paixão? Sim, existem... Não... Pensando bem, corrijo! Não é que os primeiros deixaram de existir e que o último continua existindo, mas a verdade é que agora estes se transformaram!


"Não discorde de mim!
Eu sei a verdade!"
"Eu posso cuidar de mim mesmo!"
"O mundo está em minhas mãos e não venha querer me impedir de viver, pois Eu Sou Jovem!"
               

      (Isso me faz lembrar até mesmo de algumas partes da famosa música de Renato Russo, "Pais e Filhos").

                E é nessa autoridade que vamos guiando nosso rumo. Passamos a acreditar fielmente que agora somos adultos e donos do próprio nariz. Príncipes e Princesas? Não mais! Somos Reis e Rainhas que mandam e desmandam a hora que bem quiser, e o nosso reino não é mais o mundo fantástico, mas o próprio mundo.

                É engraçado, pois quem disse que a vida perde a magia depois da infância? Quando somos jovens, A Vida, na verdade, fica sem limites. É um universo sem fim a ser explorado por viajantes sedentos por novidades. O impossível se torna realidade nas mãos destes desbravadores. A Vida, até mesmo, ganha mais sentido!

                Mais engraçado ainda é que a jovialidade é esse misto de autoridade e insegurança. Primeiro Beijo, primeiro namorado(a), primeira transa, primeiro “porre”, e outras tantas primeiras vezes são coisas simplesmente fantásticas para nós, mas que levaram tempo até serem realizadas, afinal, o medo do que é novo existe.

                Claro que, sendo Jovens, não deixamos esse tomar conta, pois, independente disso, mesmo com tanta inexperiência, continuamos sendo os “Ban-Ban-Bans” da área. Sabem porque? Porque agora somos Os Super Jovens!


Indomáveis

Invencíveis


                É... Invencíveis...


“Filho, não vá por aí”
“Filho, você vai se arrepender”

                Consideramo-nos tão impossíveis ao ponto de revoltarmo-nos quando aquela mão (sim, aquele antigo dedo) vem querer nos dar uma forcinha, ou querer nos guiar pelo caminho que acredita estar certo.
                Não queremos isso! Queremos caminhar com as nossas próprias ideologias! E quando não nos damos mal com o caminho que escolhemos, zombamos dos que disseram: Está errado... O problema é quando realmente erramos.

                Ou somos jovens o suficientes para se esconder em um canto do nosso quarto e chorar escondido, ou somos adultos/crianças (e é essa ideia paradoxal mesmo) o suficientes para reconhecer nossa queda, e voltar, de cabeça baixa, para aquelas mãos, para aqueles braços que, por incrível que pareça, nos recebem mais uma vez abertamente. Sem Merthiolathe, e sem dores, mas com um abraço bem apertado, provando-nos que "sempre" estarão ali.


                Falo que os primeiros são jovens por terem um ego tão alto ao ponto de se “desumanizar”, pois a lágrima (para muitos que estão nessa época) é sinal de fraqueza, e a última coisa que querem é se verem como “fracos”.
                Digo “crianças” por reconhecermos de que ainda não somos maduros o suficientes para a vida, e de que ainda precisamos daquelas mãos. E digo adultos por aceitarmos que, naquele momento, realmente erramos.

                O misto de autoridade e insegurança é, na verdade, um misto de ser criança e ser adulto.



                Acredito que o que nos faz jovens é esse ego alto e esse "autoritarismo", pois, mesmo nessas quedas, continuamos, aos nossos olhos, sendo IN-VEN-CÍ-VEIS...

                ... E realmente somos! Qual graça teria a vida se não fosse por esse sentimento de jovialidade, por essa sensação de invencibilidade? De viver e aproveitar o agora, deixando o depois para o depois?
                Por um momento, por um pequeno momento, até somos Imortais! Mas, infelizmente, somos assim só por um curto período, pois é quando saímos de nossos ninhos, e não temos mais aquelas mãos, aquele dedo, para nos acolher e guiar, que notamos o quão vulneráveis, mortais, somos.
                Melhor dizendo: É quando notamos que não somos mais tão jovens assim que percebemos a nossa fraqueza.





                Eis mais um fato da vida: O dedo que seguramos tão fortemente quando nascemos não existirá para sempre.
                Não,não estou falando apenas do momento em que estes irão embora, mas estou falando principalmente de quando deixamos de ser aqueles mistos e passamos a realmente ser responsáveis por si mesmos, ou seja, quando nos tornamos adultos.

                Mesmo que não queiramos, é inevitável. Não seremos jovens para sempre. Sim, irá acontecer mais uma vez! Assim como o nosso começo, quando nos tornarmos adultos, seremos arrancados da nossa zona de conforto, do nosso quartinho.
                Infelizmente, a partir deste fato, quem nos guiará não será mais aquele dedo, mas as mãos da Vida. A única diferença da vez em que nascemos é que a frase “Eu não estou preparado” é opcional.


                Feliz para os que dizem “Eu estou preparado para viver”, mas triste para os que continuam despreparados. Felizmente, ou infelizmente, quem vos ensinarás agora é A Vida, e, como soubemos quando caímos daquela pedrinha, aprender com esta dói.


                Então, pergunto-lhes mais uma vez: Um novo mundo se abre e desta vez realmente estamos a sós, então, porque ter esperança frente a este momento tão desesperador?

                Cabe a cada um dar sua resposta, mas a minha é bem simples:

Não deixar esse espírito jovial, invencível e indomável, se extinguir!


                Caros leitores, vejam que narrei uma história em que nascemos e somos guiados por nossos pais até o momento em que realmente temos de voar do nosso doce e querido ninho, mas o real nem sempre funciona assim.




        Nem sempre aquelas mãos, aquele dedo, se farão presentes por motivos diversos (da perda até o abandono).




 Nem sempre a relação com esses será harmônica, pois conviver é difícil.




     Também há aqueles que não tiveram sequer a oportunidade de abrir os olhos pela primeira vez.




  Aqueles que ficaram sem a oportunidade de voar.




             E aqueles que, de certa forma, ficaram presos no tempo. Jovens que eternamente serão Jovens.



                Mas, notem, nem por isso esses ou aqueles deixaram de conduzir sua vida, de viver, afinal... São Jovens! Jovens demais para se preocuparem com o amanhã, indomáveis demais para simplesmente pararem, e invencíveis demais para simplesmente serem mortais!


                 Sempre repeti aqui no blog: A vida não é um mar de flores. E ainda digo mais: A vida, na verdade, é um grande processo de abrir mão das coisas. Ela é inconstante, sempre a querer se movimentar e mudar.
                 Em toda ação há uma reação, e entendo que cada um tem sua forma única de responder e solucionar a essas cristas e vales da Vida. Não quero dizer que a solução é ser Jovem para sempre, mas também não quero e não posso deixar o meu Jovem e o meu Príncipe morrerem só porque estou envelhecendo.

                Para mim, a verdade é que a vida fica mais bela quando não deixamos que ela nos endureça tanto, ou seja, quando não deixamos nosso espírito jovial se extinguir.
                 Acredito que ela deva ser esse misto de ser novo e ser velho, que deva ser mágica, idealizada, e palpável, real, e também esse paradoxo de mortalidade e imortalidade. Em fim, que ela tenha equilíbrio entre o Ser Jovem e o Ser Adulto.


                Sejamos Jovens, infinitos, indomáveis, invencíveis e o tanto de "ins" que você puder imaginar! Viajantes desbravadores, príncipes(as) e Reis/Rainhas! E que tudo seja belo e mágico como as nossas primeiras vezes!



Super - Jovens!





Dezoito aninhos

                Olho para trás e vejo o tanto de experiências que acumulei. Vejo o além, e, ao mesmo tempo em que sinto medo, sinto curiosidade e disposição para continuar caminhando até onde o acaso ou o destino deixarem eu ir.
                Por fim, olho-me e, agora sim, me reconheço: Este sou eu! Ainda jovem, mas entrando para a vida adulta.

Simplesmente CR!




               Esse ano a música e o vídeo que escolhi refletem bem o que quis passar. É da banda da minha vida, a mais preciosa pra mim: Sigur Rós.
  (A tradução do título "Hoppípola" é "Saltando em poças")




                Parece que o “Devaneios de um Jovem Gay” nem será mais tão jovem assim...
                Não! Corrijo! (Risos). Não quero, não pretendo, e não vou deixar o jovem em mim simplesmente se desvanecer.


Um Feliz Aniversário para mim!

Abraços do CR!!



sábado, 17 de maio de 2014

A relação íntima entre Tempo e Lembranças


No fim de tudo é sempre isso que nos sobra: Lembranças...


                Todos possuem medo de algo e isso é um fato. Apesar disso, meu medo nunca foi de algo materializado, algo que eu pudesse tocar ou sentir, mas sim de algo totalmente o contrário, algo abstrato, que se encontra presente em nós e em praticamente tudo ao nosso redor: O Tempo.
                O Tempo é algo inevitável e uma das formas que percebemos a existência dele é quando, por exemplo, vemos coisas simples como uma planta crescer, quando vemos nossa imagem refletida no espelho, ou quando olhamos fotos nossas de uma época que já se fora. Sim, é aí que percebemos o que o tempo nos ocasiona e o quanto ele nos faz vulneráveis, e, para ser sincero e mais específico, é disso que tenho medo: de envelhecer.




                Não. Não é porque os anos tomarão a jovialidade de minha pele, ou porque estarei mais “próximo” de minha morte, mas a imagem que possuo das pessoas que tem uma idade avançada é a de que são pessoas cheias de lembranças, e lembranças, de certa forma, doem. Esse é meu medo: De tornar-me uma pessoa velha cheia de lembranças.
                Não. Não que eu queira viver do meu passado, mas é inevitável você não sentir saudades daqueles bons momentos. Sim, sim, agradeço e fico feliz por ter vivido esses momentos, mas, de certa forma, ‘érr’ complicado dizer Adeus.

                Apesar disso, não acho que seja necessário chegar à idade avançada para sentir isso, pois olhem para mim: Já possuo 17 anos (em breve 18) e já estou sentindo um pouco do peso das lembranças.
                 Lembrar-me dos bons momentos me dá saudades. O problema é que saudades é uma coisa que você guarda e não pode mais “usar”. Foi bom e é bom se lembrar, mas não dá mais para vivenciar.

                Apesar de tudo, poderia eu “suprir” essa saudade dando um “Olá, tudo bem?” para quem ainda está aqui, mas para quem já se foi isso não é possível. A Morte de alguém especial é algo que te tira da sua zona de conforto e ainda vira ela de cabeça para baixo, ou seja, te deixa sem chão. Além disso, ela quebra toda a sua rotina, por isso que primeiramente torna-se tão dolorosa essa perda, principalmente quando ela é tão repentina.
                Aceitar esse fato é complicado, mas mais complicado ainda é que você, de alguma forma, e não importa como, vai ter que recomeçar, vai ter que reconstruir toda essa zona de conforto novamente e, além disso, vai ter que se conformar de que essa nova zona, essa nova rotina que se pretende construir, é na ausência desta pessoa.
                 Sim, funciona mais como um exercício de desprendimento.


E o tempo não para.

                Desprendimento: No começo de tudo pensar nisso é o que mais dói, ou, melhor ainda, é o impensável, pois estamos tão atrelados, tão juntos, a essa pessoa que não aceitamos de forma alguma que ela se vá. Somos até mesmo capazes de mover céus e montanhas para trazê-la de volta aos nossos braços, mesmo que isso não seja possível.
                Apesar disso, existe um ponto-chave, uma “salvação” (será mesmo essa palavra?), que se chama Tempo. Sim, é ele que mais uma vez se torna presente em nossas vidas. Ademais, vejo que a maioria das pessoas possuem uma interpretação “errada” entre essa relação do tempo e desprendimento:


“Não meus caros leitores, não esperem que o tempo venha a melhorar tudo, porque ele não vai! A única coisa que ele vai fazer é distanciar você dessa pessoa especial, e isso é feito a medida que ele vai passando.
Entendam que o tempo, de certa forma e assim como a Morte, é indiferente para todos. Ele não vai te trazer felicidade, assim como ele não vai te trazer tristezas. Ele não faz justiça e não é injusto. Ele apenas irá passar!”


                Não estou sendo cruel, pessimista, ou coisas do tipo! Apenas entendam o meu ponto de vista: A presença dessa pessoa esvai-se na medida em que o tempo continua, e é isso que faz você “melhorar”, pois você se “acostuma” com a ausência dessa pessoa, ou melhor, você esquece, abandona, toda a rotina antiga (em que nesta a pessoa se encontrava presente) e aos poucos cria uma nova, que no qual essa pessoa não se encontrará presente.

                E o que nos resta? Bom... A mesma coisa que disse no começo desse texto: Lembranças de um tempo vivido que se foi há muito tempo. Se eu, o CR, devo ter medo de tornar-me um velho cheio de lembranças? Talvez sim, talvez não, mas não importa, afinal, isso faz parte da Vida, isso faz parte da sua beleza estranha, mas única! Pessoas vêm e vão, assim como amores vem e vão, e A Morte não se faz necessária para que isso aconteça.


Querem saber de uma verdade? A Vida é um grande processo de abrir mão, e não esperem que ela lhes deem a oportunidade de dizer um ‘Foi bom te conhecer’. Pode ser doloroso não ter essa, mas apenas sintam-se felizes por ainda terem tido a oportunidade de ter conhecido uma pessoa tão especial.
No fim das contas um dia tudo isso acaba para todos nós, e, quem sabe, talvez nos reencontremos novamente em algum outro lugar, afinal, isso pode não ser provável, mas continua sendo uma possibilidade.




Abraços do CR!!

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