O tom de rosa durou por um bom tempo, mas o que se seguiu não foi tão belo quanto as cores anteriores.
*Escrito originalmente em 15/09/2018
Recordo-me um pouco do vermelho, mas dessa vez em tom bem mais escuro causado pela sangria não notada. O Amarelo despediu-se à vista. O Verde já não tinha mais vida... e assim foi com o resto das outras nossas cores que foram murchando e murchando até tudo se juntar e não haver mais o que se distinguir. Sem visão e sem rumo nos perdemos.
Qualquer cor que quiséssemos inserir ali logo se desfaria... Foi um caos.
Sem mais o teu apoio tive que pacientemente organizar minha palheta de cores. Posso te afirmar que foi um processo árduo e doloroso.
E quando já via o resultado do meu esforço (vendo todo o caos de cores tomar forma e distinção) percebia que aos poucos tua presença esvaía-se cada vez mais, e por pouco quase deixo o caos invadir novamente o quadro, mas continuei centrado no que tinha em mãos.
"Drifting through the halls with the sunrise | Climbing up the walls for that flashing light
(I can never let go)
Cause I'm gonna be free and I'm gonna be fine |Cause I'm gonna be free and I'm gonna be fine
(Maybe not tonight)"
No final disso, quando a ordem estava estabelecida, vi um branco tão límpido que cegava, mas em todo esse branco só havia a minha presença. Nada além de solidão.
Ainda não estava pronto...
Então deixei que o branco entardecesse. Vi esse entardecer quarenta e quatro vezes. Permiti que fosse assim até que o branco se tornasse solitude... E se tornou.
Ainda não tenho cores vívidas para pôr em meu mais novo quadro branco. As cores que hoje tenho ainda estão pálidas e claras de ainda tão recentes, mas elas me permitem sentir paz ao ver o que um dia fiz ao teu lado. Por agora, o azul-bebê tem sido minha preferida.
"Too fast for freedom | Sometimes it all falls down | These chains never leave me
I keep dragging them around"
Desbravarei esse novo quadro. Com medos e receios, mas acredito que os tons de lilás me ajudarão nisso, assim como o amarelo me motivará mais uma vez.
E todas as minhas outras cores um dia ficarão tão vívidas quanto já foram um dia, e acredito e espero que as suas também.
"And oh my love remind me, what was it that i said? I can't help but pull the earth around me, to make my bed..."
"Hoje encontrei uma carta. Uma
bela carta, por sinal. Nela haviam palavras carinhosas, açucaradas com uma doce
utopia de um relacionamento bem degustado. Digo utopia, pois, por até engraçado
que seja, o autor ainda não tinha vivenciado tudo o que ele afirmara vivenciar,
como se fosse algo previsto ou mesmo uma bela esperança para o seu
relacionamento tão recente.
Ingenuidade ou não, foi algo belo
de se ler. O que a paixão é capaz de fazer conosco, não é mesmo? Se as pessoas
vissem a paixão com uma lente mais adaptada ao termo talvez não fosse tão
difícil encontrar alguns frascos cheios de paixão. Não que seja algo
necessariamente raro, mas existe um grande receio de se adocicar a vida com
algumas gotas dele.
Infelizmente devo dizer que a
carta estava incompleta. Não por maldade do autor, mas sim por ele mesmo
desconhecer a dádiva de um relacionamento. Ouvi dizer que A Vida ainda não o
tinha presenteado com algo do tipo, talvez por isso tenha tido a impressão de
que faltava algo para completar aquela bela carta. Apesar do autor afirmar ter
vivenciado todo o relacionamento ainda não acho que ele conseguira colocar tudo
o que acontecera conosco naquelas palavras. Foi muito mais do que eu esperava e
do que com certeza ele esperaria.
"And oh my love remind me, what was it that i did? Did i drink too much?..."
Começou com um vermelho vívido,
salpicado com alguns tons do verde tão jovial e esperançoso. Durante foi
temperado também com um amarelo enérgico, que se misturou com o vermelho para
vivenciarmos um alaranjado. Por um tempo, quando essas cores se esgotaram, assumimos
o tom neutro do cinza. Por fim, deleito-me em vários tons de rosa.
Vez ou outra pintamos e repetimos
algumas cores dessa aquarela, mas acredito que o rosa venha a permanecer por
mais um tempinho conosco. Mesmo assim, uma aquarela de cores não consegue
resumir o que vivenciamos em um ano juntos.
Aquele autor pelo menos em parte
acertou. Vivemos de beijos calorosos e desentendimentos, acumulamos boas e más
lembranças e nossos sentimentos se findaram. Você mudou e eu mudei. Você me
mudou e eu te mudei. Nos tornamos um pouco um do outro, algo natural de qualquer
bom relacionamento, e ainda digo mais: sua presença tornou-se uma necessidade
para mim. É difícil me imaginar longe de você.
Para alguém que não acredita na
permanência das coisas da vida essa necessidade é algo grandioso, e talvez algo
até inimaginável para aquele ingênuo autor. Eu não sei o que é saborear certos
momentos da vida sem ter você ao meu lado, afinal, o que me importa hoje é
dividir essas experiências com você. Saiba que a vida fica um pouco mais bela
com você ao meu lado/ela ganha um pouco mais de cor e sabor. Não tão saturada,
mas a um pouco do nível de uma beleza utópica, algo que não era para ser real,
mas que se tornou algo palpável para mim.
"Am i losing touch?..."
Os tons de rosa do nosso
relacionamento não me permitem arriscar a escrever aqui o que vai ser o nosso
relacionamento daqui para frente/não me permitem a ingenuidade do meu eu de um
ano atrás. Não que eu não goste mais da cor verde, mas é por somente eu ter
aprendido com você que relacionamento mais se constrói do que se idealiza. O
máximo que me permito a dizer, e a única certeza que tenho, é que daqui para
frente nós vamos nos mudar mais e mais, e eu, mais uma vez, me permito a isso
com você.
Posso te dizer hoje que sim
construímos uma bela história para contar. E eu não tenho palavras para
expressar o quão feliz e grato estou com isso.
Obrigado por me ter feito tão
feliz durante esse ano.
Obrigado por estar fazendo parte
da minha história
Carta escrita em 19.03.2016. Dedicada ao primeiro mês de namoro. Especificamente, na época, me colocando em um ano após meu primeiro mês de relacionamento.
"I was on a heavy tip / Trying to cross a canyon with a broken limb / You were on the other side, like always
Wondering what to do with life..."
"Amado A,
pelo que bem me lembro, deves estar em casa no
exato momento em que lê esta breve e simples carta. Talvez um pouco tonto pelo
café tomado neste dia (ou naquele dia, para o meu caso) tão especial e que fora
tão maravilhoso para nós. Não se preocupe. Uma boa noite de sono melhorará
o seu estado, mas antes deixe-me tomar um pouco do seu tempo. Quero lhe
confessar algumas coisas que porvezes esqueci-me de falar, além das coisas que nunca
cansei de repetir para você em todo esse tempo em que ficamos juntos.
Devo avisar de antemão que não sou o mesmo namorado
que você conhece e está a conhecer no seu tempo atual. Mudei. Mudei muito
durante o tempo em que convivi com você. Aliás, as vezes ainda me impressiono
em como a convivência com você me mudou, em como conseguistes colocar um pouco
de você em mim. Não que isso seja algo inesperado ou indesejado,
mas apenas uma pequena forma da vida de mostrar o quão grande é a influência em
nós mesmos de alguém que gostamos tanto. Nesses casos, é natural que nos tornemos um pouco
do outro e vice-versa.
O que me impressiona é justamente o fato de isso
ter acontecido com você. Sim, você! Não me interprete mal, por favor, mas é que passei
a acreditar por um bom tempo que apenas as minhas grandes amizades seriam
capazes de fazer isso em mim. Não conseguia acreditar que a vida ofereceria a
mim essa naturalidade da convivência como dádiva de um namoro bem sucedido.
Nunca achei que poderia me sentir tão bem ao lado de uma pessoa que vai muito
além da "simples" palavra "amigo".
Hoje posso dizer que, sim, uma parte de você está
em mim.
"... I'd already had a sip / So i'd reasoned i was drunk enough to deal with it / You were on the other side, like always
You could never make your mind..."
Não vou narrar aqui todos os acontecimentos do
nosso namoro que levaram a essa maravilhosa conclusão. Não quero e não vou
estragar a surpresa, mas, não se preocupe, nós vamos viver estes
acontecimentos. Entre beijos calorosos até aos desentendimentos.
Das festas aos "porres". Das boas às más lembranças. Em fim, dos
melhores momentos deliciados aos mais difíceis aturados, ou seja, entre tudo o
que um bom relacionamento tem a oferecer nossos sentimentos se findaram.
Só peço que, nesse nosso caminhar, não desistas,
pois em nenhum momento eu desisti de você.
Sei que, agora, podes não vir a entender o que
estou a dizer, ou que as minhas palavras não venham a ter tanto sentido,
afinal, no seu tempo atual estamos apenas no nosso primeiro mês, mas acredite
em mim, e tenha um pouco de paciência: um dia entenderás e se maravilharás
assim como eu ao olhar hoje e todos os dias para você.
Estou contente. Estou mais do que contente: estou feliz ao seu
lado. Estou feliz pelo que vivemos, e espero que, mesmo
depois de um ano, isso aqui dure por mais um bom tempo.
Um beijo do CR!! Ce - Fortaleza, 19 de Março de 2017."
"... And with one kiss / You inspired a fire of devotion / Tha lasts for twenty years
A partir daqui ocorre um limbo e começa a era "Devaneios de um Jovem gay", ou seja, daqui para baixo são postagens mais antigas da minha antiga versão do blog e todas terão o selo "DJG" (que representa o nome antigo do blog).
Espero que aprecie caso esteja nessa mesma fase que estive, assim como espero que não se assuste tanto com a imaturidade e inocência desse antigo jovem se descobrindo como gay e ainda aprendendo com questões da vida.
Perdi as
contas de quantas vezes idealizei beijos e carinhos após ver outro garoto na
rua, ou em um desses vários aplicativos que existem por aí, que me atraísse ou
despertasse meu interesse.
Apesar
disso, me manter nesse mundo idealizado não é lá um dos meus pontos fortes, ou
pelo menos deixou de ser após minha primeira paixão platônica, por isso que,
por mais “difícil” que seja, sempre tentei arranjar algum meio de conhecer aquela
pessoa que estava desejando naquele curto período de tempo.
Consigo
contar nos dedos de uma mão as tentativas que deram sucesso, e, mesmo que fosse
um sucesso, nunca era a opção que eu mais desejava, e sim a que eu não criava
planos de conhecer. Pior ainda é que o máximo que consegui dessas tentativas foi
arrancar um beijo e alguns encontros, nada além disso (não que eu ache ruim).
Claro
que estou excluindo outros fatores que fizeram o anseio não se realizar: Eu e
ele não combinávamos, não era correspondido ignorado, distância, tempo,
planos, etc, etc, etc. Tirando essas razões, sempre me indaguei sobre o “Por
quê” de algumas idealizações minhas com o outro não darem certo, ou não poderem
se realizar no atual momento, e a resposta mais plausível, ou que saciou a
minha dúvida, obtive na convivência com uma pessoa.
A
questão é que devemos saber aproveitar e, acima de tudo, entender, analisar, a
situação, o momento, em que estamos com outro. Esse é o segredo.
Um
exemplo: Uma prima minha, iniciando a sua adolescência, teve a oportunidade de
ficar com um carinha em uma festa, mas não ficou. Não por falta de interesse,
simplesmente não aconteceu (nervosismo dela talvez). Tinha ela me dito que ele
a ia procurar no facebook, e eu, observando o caso, disse a ela que isso não
aconteceria, e realmente não aconteceu.
Bastava
ver o ambiente: Na balada de uma festa. Quais são as chances de alguém, nesse
ambiente, ter o interesse em ir atrás de conhecer
o outro? São poucas. Além do fato de serem pessoas novas, que querem apenas
aproveitar aquilo que estão vivendo naquele instante, e também pela proposta de
ser apenas um fica.
Não
quero e não estou generalizando. Há casos raros.
Quais
são as chances de surgir um relacionamento a partir de um aplicativo? Poucas
também. Isso se dá simplesmente por ser algo “forçado”: Você tem de marcar encontro. Não é algo
casual, que simplesmente acontece. Não é como conhecer uma pessoa por acidente.
Além desses aplicativos serem, na verdade, um grande catálogo onde você vai
escolhendo quem lhe interessar, e não quem esbarrar com você no caminho.
O que
acontece é que, muitas das vezes, procuramos algo no lugar e na hora errada. E
o pior é que não temos noção disso. Repetindo: O segredo é saber se o momento
está propício para o que você procura.
Tem de
se levar em conta o estado em que cada um se encontra: Há momentos em que
estamos dispostos a namorar alguém, e há momentos em que queremos apenas
curtir. Somos mais amigáveis durante um período, ou voltamos a nossa atenção
para apenas a quem conhecemos.
Nossa
maturidade também entra nesse quesito: Quando estamos vivenciando o nosso
primeiro amor, degustando de novas experiências, a forma como lidamos e
respondemos ao outro, nossas ideologias daquele tempo, ou seja, Quem nós somos
naquele instante.
Também
tem a clássica: A Primeira Impressão. Conta bastante, mas não nos esqueçamos de
que é uma consequência do que acabei de falar: de Quem nós somos, ou, melhor
dizendo, de Quem estamos sendo naquele instante (vide ao fato de sempre
mudarmos com o tempo).
Vejo
que, aceitando isso, um leque de possibilidades é aberto em relação ao ato de
conhecer o outro, além do fato de aprendermos a lidar de maneira mais extrovertida, de forma menos estressante, com as casualidades da vida. Posso causar a melhor primeira impressão em alguém, ou a
pior. Vir a me tornar o melhor amigo, ou o mais odiado inimigo. Um dia ser o amor
da vida dela, ou um estranho.
E tudo
isso depende de todos os fatores externos e internos. Depende de mim, da
pessoa, do dia, do local, da hora, em fim, do momento! A verdade é que, vendo
toda essa casualidade, posso vir a me tornar qualquer pessoa diante do outro.
E se
não funcionou como você esperava, tenha certeza de que um dia possa vir a dar
certo, afinal, todos nós somos uma enorme e infinita metamorfose ambulante!
Todos se preparam.
Escolhem ficar do lado de quem mais gostam, de quem mais possuem intimidade.
Abraçam, beijam, levantam dedinhos, e mais uma variedade de poses é feita para
essa última foto. Não estou excluído dessas facetas, afinal, faço parte desse
grupo... Corrijo: Fiz parte desse grupo.
Eu os vejo. Eu os
sinto... Eu os vi, e eu os senti. Ainda não consigo entender esse misto de
crueldade e maravilha que é A Vida e O Tempo. É uma beleza muito estranha aos
meus olhos.
Autor: Bertil Nilsson
(Renascimento da
Fênix)
O poder divino dos deuses,
a transcendência do corpo, a renascença da alma, a existência de seres míticos,
contos e estórias, e entre outras várias fantasias foram criações do ser tão único que é o homem. Uma eterna busca por algo que o fizesse, de alguma forma, "vencer" o tempo. A necessidade do homem de ganhar das suas “fraquezas”
sempre existiu, e não é hoje que irá acabar.
A imortalidade,
o maior anseio desse homem, é uma maldição ou uma dádiva? Relativo.
Quanto tempo duraria essa imortalidade? Quinhentos anos? Cem mil anos? Nove vezes
o tempo de existência de um corvo? A idade de uma Fênix?
Pergunto,
pois, paradoxalmente, nem mesmo uma Fênix, ser criado por esse homem, e símbolo
da imortalidade, é imortal. A ave do grandioso ciclo, ao final da sua vida,
quando teve de deixar de existir, lança aos ventos suas cinzas a fim de mostrar
de que ninguém escapa do caminho tão certo que é a morte.
Mas é
nesse mesmo negro de dor e sofrimento que nasce uma pequena faísca, um sopro de
vida, que é uma nova Fênix... Uma esperança seria? Indícios da imortalidade?
Mais um ciclo!
Quanto
tempo dura esse grandioso ciclo de morte e renascença da Fênix? Quantas vezes
uma Fênix tem de morrer e renascer para alcançar um objetivo que nem mesmo se
tem certeza, se é que existe um objetivo? Nós, humanos como somos, poderíamos
ser o ciclo por um todo ou um resultado de cada ciclo completado? A junção dos
dois? Ou seja, em uma vida, morremos só uma vez?
Não.
E essa é a única resposta que
posso lhes dar.
Quantas
vezes morrestes e renascestes durante a vida? Quantos Eu’s deixastes de
ser no percorrer do caminho? A Vida, sendo a nossa grande guia, é um grande
martelo que nos lapida com o passar do tempo, ou talvez nós nos lapidamos com o
que A Vida nos oferece. Sendo uma questão de perspectiva, é inegável o fato de que, inevitavelmente, deixamos de ser quem nós somos, ou seja, de
que O Tempo tira a nossa identidade (ou seríamos nós, seres de razão, a tirarmos a
nossa própria identidade?...) Não culpo o tempo, apenas sei, em minha condição humana, que sou mutável.
Não sou
o mesmo de dez anos atrás, e nem serei o mesmo daqui a dez anos. Ontem fui um eu,
hoje já sou um novo eu, e amanhã serei um outro. O que causa tudo isso?
Amores e amizades? Intrigas e desentendimentos? Não ignoro tais fatores por
serem sim causadores de nossa mudança, mas acredito que são nas despedidas que
está a essência dessa Fênix.
Me
perdoem, sou um Homem de fins, e não de começos. Para mim, começos são
consequências. Não nego que um novo amor e uma nova
amizade, ou seja, novos relacionamentos nos renovem. Estes, além dos infinitos e novos
problemas que persistem em existir nos nossos caminhos, são os que moldarão esse nosso novo Eu, essa nova faísca, essa nova Fênix, mas vejo que são os fins, as despedidas que são responsáveis por criar essa nova
pessoa.
Os fins são as chamas que queimam a velha Fênix.
Quando
me despeço de uma ou várias pessoas, o eu que eu era para elas deixa de existir
no momento do adeus. Nenhum outro grupo poderá reviver essa pessoa que existiu
na linha do meu tempo, e mesmo reencontrando esses antigos entes, ou
relembrando-os, apenas terei um vislumbre de quem eu já foi.
Quando encontras, depois de muito tempo, por destino ou acaso, aquele seu
amigo de infância e, depois das saudações, começam a lembrar de todos os
momentos bons e ruins que viveram juntos, ou quando simplesmente se sentas na cadeira e, por algum motivo, começas a lembrar dos momentos que já vivera, percebes que nessas e outras horas o quanto já morrestes e renascestes durante a tua vida.
Aí que está a relação íntima entre Tempo e Lembranças.
No fim, ironicamente ou não, somos culpados pela nossa própria morte. Assim como a Fênix, quem
constrói nossas piras que, logo logo, se atearão ao fogo, somos nós mesmos.
Mudar,
morrer, dói. Pior ainda é que, como a Fênix, sabemos de antemão quando a hora
chega, exceto às raras vezes em que não estamos preparados. Como no ritual, em
meio a todo o terreno que se desmorona, tristes melodias são entoadas pelo
nosso antigo ser tão desgastado.
Choramos
como se fosse a nossa última vez... Por que choramos? Não somente por doer, mas
saibam que lágrimas de Fênix curam. Curam nossas feridas, curam nosso ser.
São lágrimas que descarregam todo o peso de dor e sofrimento que o antigo eu tanto
tinha depois de viver uma vida de imortalidade.
Esperança,
mutabilidade, renovação e imortalidade... Tudo.
Quem nós somos?
Somos Fênix na vida
Uma
última foto? Sim, uma última foto, para que as cinzas do Eu que já fui não sejam
simplesmente levadas pelos ventos e esquecida pelo o resto de minha vida.
Vocês,
acima de tudo, existiram para mim.
Eu os vi, eu os senti. Sei quem já foram, e agradeço profundamente por terem
sido quem foram.
Sei que
minha morte é inevitável. Despedidas são inevitáveis. Renascer é inevitável. Quão
cruéis O Tempo e A Vida são! Mas que estes me deem o direito de guardar estas
minhas cinzas na minha vasta memória, que, na verdade, é uma enorme Cruz que
carrego em minhas costas.
Fraqueza
ou não, me perdoem, Tempo e Vida, mas não quero me esquecer das cinzas de um tempo
que já fora, das cinzas da minha história.
Quanto
tempo dura esse grandioso ciclo? Quantas vezes terei de morrer e renascer
nessa vida? Quanto tempo dura essa imortalidade?
Não, não havera
nada de especial nesta manhã que acordei. O céu não aparecera mais azul, o sol
não nascera mais brilhante e o dia talvez seja como qualquer outro da minha
longa e normal rotina. Que chatinho...
Apesar disso, levanto-me
e olho-me no espelho. Vejo-me e toco-me como se não me reconhecesse. De alguma
forma não conseguia me identificar. Era estranho a mim mesmo. Será? Nem parece
verdade... Eu realmente estou envelhecendo.
É bem
provável de que o clarão tenha sido a primeira imagem que viera aos nossos
minúsculos olhos. Passamos tanto tempo dentro de um quarto escuro que no
primeiro sinal de luz mal conseguimos olhar diante de tanta claridade. “Olá
mundo”, “Aonde eu estou?”, “O que está acontecendo?”, e entre outras tantas variadas
frases e perguntas talvez tenhamo-nos feitos naquele momento, ou mesmo nenhuma.
Indago-me:
Por que choramos quando nascemos? Ou melhor: Por que temos de nascer!? Aposto que
estávamos tão relaxados e bem acomodados naquele pequenino lugar que acredito
que não houvesse tanta necessidade de sair dali. Era silencioso, escurinho e bem reconfortante. Nada nos incomodava.
Apesar disso, e se vermos por um lado, talvez
seja essa a resposta para a primeira pergunta. Sabemos o quão difícil é sair
da nossa zona de conforto, e foi tão difícil para nós no começo que simplesmente choramos.
De
alguma forma, parece que naquele momento perdíamos toda aquela proteção que
nossa querida mãe nos oferecia, e que a partir dali estaríamos mais vulneráveis
ao que está fora... Não, não posso tratar apenas como uma suposição. Realmente
perdemos essa proteção e ficamos mais vulneráveis no momento em que nascemos.
Vendo
assim, a verdadeira frase que realmente devemos ter pensado naquele momento fora:
“Eu não estou preparado”
Pois não nascemos prontos para viver, e choramos, pois, mesmo sendo assim, não tivemos
a opção de escolher.
Frente
a este momento, a primeira vista, tão desesperador, porque teríamos esperança? Não
tivemos motivos para tal! Até que, para a nossa felicidade, quando vamos em nossa primeira
procura por uma base, sentimos, em nossas pequeninas mãos, um dedo! Sim, um
dedo! Um dedo que um pouco mais tarde se tornaria uma mão. Mão esta que nos
guiaria por um curto, mas longo período de nossas vidas.
E é com
essas duas pessoas (e não mais mãos) que vamos crescendo com o passar do tempo.
Tudo até que fica mais “fácil”! Tão fácil que até chegamos a conclusão que A Vida lá fora não é tão complicada e difícil como imaginávamos que seria dentro do útero, e que ela é até mesmo mágica!
Eu sou um Monstro! Rhooaaar! E você deve fazer o que eu mandar!
É com
essa magia e fantasia que norteamos o nosso rumo. Lutamos contra cavaleiros e dragões, salvando,
assim, a pátria! Viramos Os Heróis! Tornamo-nos As Super-Crianças! Somos pequenos príncipes
e princesas que reinam o mundo fantástico.
Impressionante
o quanto inocentes somos ao ponto de acharmos que o amor de pai e mãe é o único que existe, e que se apaixonar por outro é motivo o suficiente para ficarmos todos vermelhinhos de
vergonha, principalmente quando ficamos, pela primeira vez, de mãos dadas!
A verdade é que temos
coroas e espadas e absolutamente nada pode nos derrotar! ...
Nada?
E é aí que tropeçamos numa pequena, pequenina
pedrinha, e machucamos nossos joelhos. “Mãe, Pai!” são os primeiros nomes que
gritamos (isso se já não estivermos sentados aos choros e soluços no chão).
Para nos acolher esses chegam de braços abertos , mas, para a nossa infelicidade,
com o famoso Merthiolate em mãos.
“Ai Mãe, tá doendo!”
“É, mas vai passar”
Ironicamente é dessa forma que vamos aprendendo a conviver com a dor. Vemos que não adianta sentar e chorar. A dor é grande e uma lágrima ou outra é
aceitável, mas com um pouco de Merthiolate e com um pouco de coragem e
disposição devemos nos levantar.
Notavelmente é assim que vamos crescendo, e, inevitavelmente,
endurecendo. E são esses “mentes” que, infelizmente, nos tornam cada vez menos
príncipes e princesas.
De
repente, as coroas e as espadas que tínhamos não existem mais. Os dragões se tornaram moinhos de
ventos e não salvamos mais a pátria. O amor e a paixão? Sim, existem... Não... Pensando bem, corrijo! Não é que os primeiros deixaram de existir e que o último continua
existindo, mas a verdade é que agora estes se transformaram!
"Não discorde de mim!
Eu sei a verdade!"
"Eu posso cuidar de mim mesmo!"
"O mundo está em minhas mãos e não venha querer me impedir de viver,
poisEu Sou Jovem!"
(Isso me faz lembrar até mesmo de algumas partes da famosa música de Renato Russo, "Pais e Filhos").
E é nessa autoridade que vamos guiando nosso rumo. Passamos a acreditar fielmente que agora somos
adultos e donos do próprio nariz. Príncipes e Princesas? Não mais!
Somos Reis e Rainhas que mandam e desmandam a hora que bem quiser, e o nosso
reino não é mais o mundo fantástico, mas o próprio mundo.
É
engraçado, pois quem disse que a vida perde a magia depois da infância? Quando
somos jovens, A Vida, na verdade, fica sem limites. É um universo sem fim a ser
explorado por viajantes sedentos por novidades. O impossível se torna realidade
nas mãos destes desbravadores. A Vida, até mesmo, ganha mais sentido!
Mais
engraçado ainda é que a jovialidade é esse misto de autoridade e insegurança.
Primeiro Beijo, primeiro namorado(a), primeira transa, primeiro “porre”, e
outras tantas primeiras vezes são coisas simplesmente fantásticas para nós, mas
que levaram tempo até serem realizadas, afinal, o medo do que é novo existe.
Claro
que, sendo Jovens, não deixamos esse tomar conta, pois, independente disso, mesmo com tanta
inexperiência, continuamos sendo os “Ban-Ban-Bans” da área. Sabem porque?
Porque agora somos Os Super Jovens!
Indomáveis
Invencíveis
É...
Invencíveis...
“Filho, não vá por
aí”
“Filho, você vai se
arrepender”
Consideramo-nos
tão impossíveis ao ponto de revoltarmo-nos quando aquela mão (sim, aquele
antigo dedo) vem querer nos dar uma forcinha, ou querer nos guiar pelo caminho
que acredita estar certo.
Não
queremos isso! Queremos caminhar com as nossas próprias ideologias! E quando
não nos damos mal com o caminho que escolhemos, zombamos dos que disseram: Está
errado... O problema é quando realmente erramos.
Ou
somos jovens o suficientes para se esconder em um canto do nosso quarto e
chorar escondido, ou somos adultos/crianças (e é essa ideia paradoxal mesmo) o
suficientes para reconhecer nossa queda, e voltar, de cabeça baixa, para
aquelas mãos, para aqueles braços que, por incrível que pareça, nos recebem mais uma vez abertamente. Sem Merthiolathe, e sem dores, mas com um abraço bem apertado, provando-nos que "sempre" estarão ali.
Falo
que os primeiros são jovens por terem um ego tão alto ao ponto de se
“desumanizar”, pois a lágrima (para muitos que estão nessa época) é sinal de
fraqueza, e a última coisa que querem é se verem como “fracos”.
Digo
“crianças” por reconhecermos de que ainda não somos maduros o suficientes para
a vida, e de que ainda precisamos daquelas mãos. E digo adultos por aceitarmos que, naquele momento, realmente erramos.
O misto de autoridade e insegurança é, na verdade, um misto de ser criança e ser adulto.
Acredito
que o que nos faz jovens é esse ego alto e esse "autoritarismo", pois, mesmo nessas quedas, continuamos, aos
nossos olhos, sendo IN-VEN-CÍ-VEIS...
... E
realmente somos! Qual graça teria a vida se não fosse por esse sentimento de
jovialidade, por essa sensação de invencibilidade? De viver e aproveitar o
agora, deixando o depois para o depois?
Por um
momento, por um pequeno momento, até somos Imortais! Mas, infelizmente, somos assim só por um curto período, pois é quando saímos de nossos ninhos, e não temos mais aquelas mãos, aquele dedo, para nos acolher e guiar, que notamos o quão vulneráveis, mortais, somos.
Melhor dizendo: É quando notamos que não somos mais tão jovens assim que percebemos a nossa fraqueza.
Eis mais um fato da vida: O dedo que seguramos tão fortemente quando nascemos não existirá para sempre.
Não,não estou falando apenas do momento em que estes irão embora, mas estou falando principalmente de quando deixamos de ser aqueles mistos e passamos a realmente ser responsáveis por si mesmos, ou seja, quando nos tornamos adultos.
Mesmo que não queiramos, é inevitável. Não seremos jovens para sempre. Sim, irá acontecer mais uma vez! Assim como o nosso começo, quando nos tornarmos adultos, seremos arrancados da nossa zona de conforto, do nosso quartinho.
Infelizmente, a partir deste fato, quem nos guiará não será mais aquele dedo, mas as mãos da Vida. A única diferença da vez em que nascemos é que a frase
“Eu não estou preparado” é opcional.
Feliz
para os que dizem “Eu estou preparado para viver”, mas triste para os que
continuam despreparados. Felizmente, ou infelizmente, quem vos ensinarás agora
é A Vida, e, como soubemos quando caímos daquela pedrinha, aprender com esta dói.
Então, pergunto-lhes mais uma vez: Um novo mundo se abre e desta vez realmente estamos a sós,
então, porque ter esperança frente a este momento tão desesperador?
Cabe a cada
um dar sua resposta, mas a minha
é bem simples:
Não deixar esse
espírito jovial, invencível e indomável, se extinguir!
Caros leitores, vejam que narrei uma história em que nascemos e somos guiados por nossos
pais até o momento em que realmente temos de voar do nosso doce e querido
ninho, mas o real nem sempre funciona assim.
Nem
sempre aquelas mãos, aquele dedo, se farão presentes por motivos diversos (da
perda até o abandono).
Nem
sempre a relação com esses será harmônica, pois conviver é difícil.
Também há
aqueles que não tiveram sequer a oportunidade de abrir os olhos pela primeira vez.
Aqueles
que ficaram sem a oportunidade de voar.
E
aqueles que, de certa forma, ficaram presos no tempo. Jovens que eternamente
serão Jovens.
Mas, notem, nem por isso esses ou aqueles deixaram de conduzir sua vida, de viver,
afinal... São Jovens! Jovens demais
para se preocuparem com o amanhã, indomáveis demais para simplesmente pararem,
e invencíveis demais para simplesmente serem mortais!
Sempre repeti aqui no blog: A vida não é um mar de flores. E ainda digo mais: A vida, na verdade, é um grande processo de abrir mão das coisas. Ela é inconstante, sempre a querer se movimentar e mudar.
Em toda ação há uma reação, e entendo que cada um tem sua forma única de responder e solucionar a essas cristas e vales da Vida. Não quero dizer que a solução é ser Jovem para sempre, mas também não quero e não posso deixar o meu Jovem e o meu Príncipe morrerem só porque estou envelhecendo.
Para
mim, a verdade é que a vida fica mais bela quando não deixamos que ela
nos endureça tanto, ou seja, quando não deixamos nosso espírito jovial se extinguir.
Acredito que ela deva ser esse misto de ser novo e ser velho, que deva ser mágica, idealizada, e palpável, real, e também esse paradoxo
de mortalidade e imortalidade. Em fim, que ela tenha equilíbrio entre o Ser Jovem e o Ser Adulto.
Sejamos Jovens, infinitos, indomáveis, invencíveis e o tanto de "ins" que você puder imaginar! Viajantes desbravadores, príncipes(as) e Reis/Rainhas! E que tudo seja belo e mágico como as nossas primeiras vezes!
Super - Jovens!
Dezoito aninhos
Olho
para trás e vejo o tanto de experiências que acumulei. Vejo o além, e, ao mesmo
tempo em que sinto medo, sinto curiosidade e disposição para continuar
caminhando até onde o acaso ou o destino deixarem eu ir.
Por
fim, olho-me e, agora sim, me reconheço: Este sou eu! Ainda jovem,
mas entrando para a vida adulta.
Simplesmente CR!
Esse ano a música e o vídeo que escolhi refletem bem o que quis passar. É da banda da minha vida, a mais preciosa pra mim: Sigur Rós.
(A tradução do título "Hoppípola" é "Saltando em poças")
Parece
que o “Devaneios de um Jovem Gay”
nem será mais tão jovem assim...
Não!
Corrijo! (Risos). Não quero, não pretendo, e não vou deixar o jovem em mim
simplesmente se desvanecer.